Intervalos maiores entre a última refeição do dia e a hora de dormir podem reduzir risco de câncer

Durante anos, os pesquisadores observaram de perto como as células cancerígenas evoluem - mas nenhuma de suas descobertas apontou para uma cura até agora. Concentrar-se em fatores de risco, no entanto, provou ser útil. Acredita-se que fatores ambientais, como dieta, sejam as principais causas para o surgimento de câncer, mas o horário das refeições também pode estar implicado no risco.

Um estudo realizado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona sugeriu que o momento da sua última refeição do dia pode afetar o risco de câncer de mama e próstata.

As descobertas do estudo sugeriram que comer antes das 21h, ou deixar pelo menos duas horas entre o jantar e a hora de dormir, pode reduzir o risco de cada câncer em 20%.

A pesquisa analisou dados de 621 participantes diagnosticados com câncer de próstata e 1.205 pacientes com câncer de mama.

Como ambas as doenças estão ligadas aos padrões de trabalho noturnos, os pesquisadores se certificaram de excluir esses pacientes do estudo.

Após o ajuste para todos os fatores que influenciam o risco de câncer, os resultados mostraram que indivíduos que jantavam antes das 21h ou pelo menos duas horas antes de dormir tinham um risco 26 menor de desenvolver câncer de próstata e um risco 16% menor de câncer de mama, em comparação com aqueles que comiam depois das 22h ou dormiam pouco depois da refeição.

O médico Manolis Kogevinas, que liderou o estudo, disse que os resultados destacaram a importância de abordar os ritmos circadianos em estudos sobre dieta e câncer.

Caso sejam confirmados, os resultados podem ter implicações para as recomendações de prevenção do câncer, disse o autor.

“O impacto pode ser especialmente importante em culturas como as do sul da Europa, onde as pessoas jantam tarde”, observou o Dr. Kogevinas.

Há evidências crescentes que apontam para a importância de aderir aos padrões alimentares diários e prolongar o tempo entre a última refeição e o sono.

Em outros estudos epidemiológicos, a interrupção do ritmo circadiano foi considerada uma implicação no risco de câncer de próstata, mama, cólon, fígado, pâncreas, ovário e pulmão.

O ritmo circadiano refere-se a um conjunto de sistemas internos que ditam as mudanças físicas, mentais e comportamentais que seguem um ciclo de 24 horas.

Esse relógio interno interage intimamente com as vias envolvidas na homeostase e no metabolismo.

De acordo com a revista científica Nature, as interrupções no relógio “causadas por fatores de risco ambientais, genéticos e patológicos promovem o início e a progressão do câncer”.

Em pesquisas anteriores, os cientistas conseguiram identificar vários mecanismos que ressaltam o efeito da dieta no ritmo circadiano.

Experimentos mostraram que a insulina - um hormônio liberado quando comemos - ajusta o ritmo em diferentes células e tecidos individualmente.

Doutor Brian Gonzalez, estuda os mecanismos do relógio biológico em uma tentativa de prolongar a qualidade de vida de pacientes e sobreviventes de câncer.

Segundo o especialista, há evidências de que interrupções no ritmo circadiano do corpo prejudicam sua capacidade de combater doenças como o câncer.