“Miserê” de procurador vira piada No fim de semana, um áudio do procurador Leonardo Azeredo dos Santos, do Ministério Público de Minas Gerais, causou polêmica nas redes sociais após ele chamar o salário de R$ 24 mil de “miserê”. De acordo com o Portal da Transparência, porém, ele recebeu R$ 78 mil em junho, entre salários, verbas indenizatórias e verbas retroativas.

Nesta terça-feira (10), um cartaz e uma caixa de papelão foram colocados na região da Pampulha, em Belo Horizonte, com a frase “Ajude o procurador do MPMG sair do miserê”. O autor do irônico protesto é o advogado Mariel Marra.

Em nota enviada na segunda-feira (9), o Ministério Público de Minas Gerais informou que não há projeto em andamento sobre adoção de benefícios pecuniários para a a carreira de procuradores e promotores de Justiça. O MP ainda declarou que está tomando as medidas cabíveis para reduzir gastos, especialmente com folha de pessoal.

Estes são alguns trechos da fala de Azeredo com quase 2 horas de conversa.

“O senhor me desculpe o desabafo, eu estou fazendo a minha parte. Eu estou deixando de gastar R$ 20 mil de cartão de crédito e estou passando a gastar R$ 8 [mil], para poder viver com os meus R$ 24 mil".

Ele questionava o procurador-geral da Justiça, Antônio Sérgio Tonet, sobre soluções que estariam sendo pensadas para garantir pagamento de "qualquer tipo de vantagem, quando passarem a receber o "salário verdadeiro", com o fim de pagamentos retroativos. 

"Como é que o cara vai viver com R$ 24 mil? O que é que de fato vamos fazer para melhorar a nossa remuneração? Ou nós vamos ficar quietos? Eu não sei se vou receber a mais, se vai ter algum recálculo dos atrasados que possa me salvar, salvar a minha pele. Eu, de qualquer forma, já estou baixando meu padrão de vida bruscamente, mas eu vou sobreviver", afirmou.

O procurador segue no desabafo dizendo que não é perdulário, mas infelizmente "não tem origem humilde" e não está "acostumado com tanta limitação". Ele cita, entre seus gastos, R$ 4.500 em condomínio e IPTU.

"Eu quero saber se nós, ano que vem, vamos continuar nessa situação, ou se Vossa Excelência já planeja alguma coisa dentro da sua criatividade para melhorar a nossa situação. Ou se nós vamos ficar nesse miserê aí, ainda sob ameaça de não termos aumento", questiona ele a Tonet.

A fala de Azeredo segue ainda questionando se haverá interesse pela carreira na Promotoria, tendo em vista os salários. Com 28 anos na instituição, ele afirma que o cenário atual o levou a tomar remédios.  

"Eu e vários outros, já estamos vivendo abaixo de comprimido, abaixo de antidepressivo. Eu estou falando desse jeito aqui com dois comprimidos de sertralina por dia. Eu tomo dois ansiolíticos por dia e ainda estou falando desse jeito aqui. Você imagina se eu não tomasse? Ia ser pior que o Ronaldinho. Alguma coisa tem que ser feita".

Antecipando que poderia sofrer críticas pela fala, Azeredo disse que, sem alguma ação, a categoria poderia virar "pedinte".

"Vamos baixar mais a crista? Vamos virar pedinte quase? Alguém vai chegar e dizer 'ora, exagero seu, você não sabe o que é um pedinte'. Mas será que estou pedindo muito, para o cargo que eu ocupo? Será que o meu cargo não merece ter uma remuneração que eu possa pagar o colégio dos meus filhos, por exemplo?".

O valor de R$ 24 mil citado por ele é uma média dos salários no Ministério Público de Minas Gerais.