Crise de ansiedade coletiva em escola do Recife ocorreu em semana de provas Uma crise de ansiedade atingiu, na última sexta-feira (8), 26 alunos de uma escola estadual no Recife/PE, que tiveram falta de ar, tremor e crise de choro, segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O caso aconteceu na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Ageu Magalhães, em Casa Amarela, na Zona Norte do Recife. O Samu informou que os estudantes apresentaram sudorese, saturação baixa e taquicardia, foram atendidos no local e não precisaram serem transferidos para hospitais.

De acordo com a Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco, os alunos estavam em semana de provas e, após o ocorrido, as duas últimas provas da sexta-feira (8) foram canceladas e serão remarcadas.

Segundo o Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho.

Em crianças, o desenvolvimento emocional influi sobre as causas e a maneira como se manifestam os medos e as preocupações tanto normais quanto patológicos. Diferentemente dos adultos, crianças podem não reconhecer seus medos como exagerados ou irracionais, especialmente as menores.
A crise de ansiedade desencadeou uma reação que percorreu várias turmas da escola. Em poucos minutos, alunos de outras salas de aula começaram a gritar, e seus gritos podiam ser ouvidos pelos corredores, segundo estudantes que presenciaram o ocorrido. 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a ansiedade afeta 18,6 milhões de brasileiros. Ainda segundo a instituição, a Covid-19 contribuiu para que esses transtornos mentais se agravassem.

Os transtornos, que têm tratamento, ainda são encarados com desconfiança e julgamentos que desqualificam quem se queixa de sintomas de ansiedade e depressão.

A causa dos transtornos ansiosos infantis é muitas vezes desconhecida e provavelmente multifatorial, incluindo fatores hereditários e ambientais diversos. Entre os indivíduos com esses transtornos, o peso relativo dos fatores causais pode variar.

De uma maneira geral, os transtornos ansiosos na infância e na adolescência apresentam um curso crônico, embora flutuante ou episódico, se não tratados.

Na avaliação e no planejamento terapêutico desses transtornos, é fundamental obter uma história detalhada sobre o início dos sintomas, possíveis fatores desencadeantes (ex. crise conjugal, perda por morte ou separação, doença na família e nascimento de irmãos) e o desenvolvimento da criança. Sugere-se, também, levar em conta o temperamento da criança (ex. presença de comportamento inibido), o tipo de apego que ela tem com seus pais (ex. seguro ou não) e o estilo de cuidados paternos destes (ex. presença de superproteção), além dos fatores implicados na etiologia dessas patologias. Também deve ser avaliada a presença de comorbidade.

De modo geral, o tratamento é constituído por uma abordagem multimodal, que inclui orientação aos pais e à criança, terapia cognitivo-comportamental, psicoterapia dinâmica, uso de psicofármacos e intervenções familiares.