10 orientações para evitar crises conjugais por causa do dinheiro O tema é complexo, por tratar de indivíduos que possuem hábitos e comportamentos diferentes, nem sempre o que é interessante para uma pessoa pode ser para outra. Assim, quando falamos de finanças para casais, é importante que ambos tenham o cuidado para evitar discórdias, o que é possível por meio de diálogo.

A primeira coisa a se entender é que o dinheiro, por ser um meio para realizar necessidades e sonhos, precisa ser muito bem direcionado e nada melhor que um bom orçamento financeiro onde ambos possam construir seus objetivos como casal e também individualmente.

A grande maioria dos casais não aprendeu a administrar suas finanças e, o mais complicado, por se tratar de dois indivíduos a probabilidade é grande de que que cada um tenha vivenciados diferente de lidar com o tema.

Assim, para melhor lidar com o tema é preciso uma relação amigável, de confiança, que deve nascer de boas conversas. Infelizmente vejo hoje quem muitas vezes os casais nem mesmo conhecem os sonhos um do outro. E o pior, nem os ganhos.

Esse alinhamento é imprescindível para uma relação equilibrada e saudável financeiramente. Grande parte das separações, divórcios são provenientes dos problemas gerados pelo dinheiro. Por isso toda atenção é sempre bem-vinda e com isso a prosperidade financeira do casal será consequência.

Mas, como fazer para dar uma virada nessa relação com o dinheiro? Conhecer a realidade financeira da família, ou o 'eu financeiro', é o primeiro passo, sabendo de onde provém o dinheiro é para onde está indo.

Outro passo é elaborar um bom orçamento financeiro familiar priorizando sonhos, necessidades e propósitos da família. Com o orçamento em mãos será possível entender como está a real situação financeira, que são quatro: investidora, equilibrada, endividada ou superendividada.

Muitos casais têm dificuldades de saber se é mais conveniente ter contas bancárias individuais ou conjunta. Não existe problema algum nessas opções tudo depende de uma boa combinação entendendo as facilidades de cada possibilidade para o casal.

Já, quando o assunto é investimento, tudo vai depender das finalidades, ou seja, é preciso sempre 'carimbar' o dinheiro aplicado para uma finalidade, dependendo da opção se definirá se esse investimento será feito em conjunto ou individual. Por exemplo, para uma viagem da família o investimento em conjunto vai muito bem. Já se for investir para uma aposentadoria, em uma previdência privada, por exemplo, o investimento deverá sempre ser de forma individualizada.

O segredo está em uma boa e inteligente reunião familiar e colocar tudo na mesa na ponta do lápis. Assim, é preciso, muita atenção para os propósitos da família como sonhos, necessidades, prestações, dívidas contraídas e a criação de uma boa reserva financeira para eventuais oportunidades.

É importante um novo formato de orçamento, que traga as prioridades da vida em primeiro lugar, ou seja, antes dos gastos, tendo assim os propósitos protegidos antes. Para isso se deve definir em reunião familiar sonhos coletivos e sonhos individuais divididos da seguinte forma: curto prazo (até um ano), médio prazo (de um a dez) e longo prazo (acima de dez anos).

E mais, todos os sonhos devem estar acompanhados de informações fundamentais como: Qual o sonho? Quanto custa? Quanto tempo quer realizá-lo? Quanto vai poupar? E, caso não tenha esse recurso, de onde vai tirar ou ganhar esse dinheiro?

Se não responder essas perguntas os sonhos podem virar um grande pesadelo. Da reunião sobre o tema, tem que participar os filhos, caso tenha, procurem inseri-los, eles possuem sonhos e poderão contribuir com a construção de uma vida financeira sustentável.

Uma atenção especial para os casais onde um ganha mais que o outro, é preciso respeitar e entender essa diferença. Na educação financeira não importa quanto cada pessoa ganha e sim como se gasta e emprega o dinheiro no decorrer da vida.

Para contribuir ainda mais, descrevi algumas orientações básicas que poderão ajudar:

Faça reuniões frequentes envolvendo todos os membros da família, mesmo que não haja problemas financeiros;
Na reunião é muito importante falar e definir os sonhos individuais e coletivos de curto, médio e longo prazos, além das necessidades e reserva financeira;
O casal deve fazer um diagnóstico financeiro durante trinta dias, se tiver ganhos fixos, ou noventa dias, em caso de ganhos variáveis. As anotações devem ser por tipo de gastos e ganhos. Isso deve ocorrer anualmente ou quando houver uma oscilação drástica nos ganhos ou gastos;
Saiba ouvir todos os membros da família, eles podem e devem contribuir com ideias;
Independentemente do parceiro trabalhar ou não, é imprescindível que ambos tenham contribuições para suas aposentadorias. É muito comum nesses casos que apenas quem tem o ganho faça a previdência. Lembre-se, ambos possuem suas obrigações e precisam de um futuro seguro;
Caso tenha filhos, é preciso inclui-los na reunião e provocar neles o desejo de sonhar e mostrar que o dinheiro é um meio e não aceita desaforo;
É preciso apresentar para todos da família que os excessos de gastos e desperdícios são muito altos, acredite, esses podem chegar a 50% dos gastos;
Para que a família fique blindada é preciso construir uma reserva financeira, ou reserva estratégica, garantindo sustentabilidade mínima de 12 meses, e que deverá estar disponível a qualquer momento, seja para oportunidades ou necessidades;
Ainda em caso de filhos, não erre atrelando o dinheiro dado para uma criança a uma obrigação. Lembre-se, a criança não trabalha, não ganha salário;
E, para fechar, é preciso que o casal sempre poupe parte do dinheiro ganho, sempre carimbando o dinheiro guardado e aplicado, nunca invista sem antes decidir o objetivo. Dinheiro sem destino é dinheiro perdido.

*Reinaldo Domingos, PhD em Educação Financeira, Presidente da DSOP Educação Financeira e da Associação Brasileira de Profissionais da Educação Financeira (Abefin). Está à frente do canal do YouTube Dinheiro à Vista, autor do bestseller Terapia Financeira e de diversas outras obras sobre o tema.