Talibã proíbe mulheres afegãs de viajar de avião sem a companhia de um homem O Talibã ordenou que as companhias aéreas no Afeganistão impeçam as mulheres de embarcar em voos, a menos que estejam acompanhadas por um parente do sexo masculino, disseram autoridades da aviação à AFP.

A mais recente restrição às mulheres segue o fechamento de todas as escolas secundárias femininas na quarta-feira, poucas horas depois de serem autorizadas a reabrir pela primeira vez desde que os islamistas radicais tomaram o poder em agosto.

Dois funcionários da companhia aérea Ariana Afghan e da Kam Air disseram no domingo (27) que o Talibã ordenou que eles parassem de embarcar mulheres se estivessem viajando sozinhas.

A decisão foi tomada após uma reunião na quinta-feira (24) entre representantes do Talibã, das duas companhias aéreas e autoridades de imigração do aeroporto, disseram os funcionários à AFP, pedindo para não serem identificados.

Desde o retorno do Talibã ao poder, muitas restrições à liberdade das mulheres foram reintroduzidas - muitas vezes implementadas localmente por capricho de funcionários regionais do Ministério da Promoção da Virtude e Prevenção do Vício.

O ministério disse que não emitiu nenhuma diretriz proibindo as mulheres de voarem sozinhas.

Mas uma carta emitida por um alto funcionário da Ariana Afghan aos funcionários da companhia aérea após a reunião com o Talibã, cuja cópia foi obtida pela AFP, confirmou a nova medida.

Dois agentes de viagens contatados pela AFP também confirmaram que pararam de emitir passagens para mulheres que viajam sozinhas.

O Talibã já proibiu viagens rodoviárias entre cidades para mulheres que viajam sozinhas, mas até agora elas eram livres para voar.

O Talibã prometeu uma versão mais branda do duro regime islâmico que caracterizou seu primeiro período no poder de 1996 a 2001.

Mas desde agosto, eles reverteram duas décadas de ganhos obtidos pelas mulheres do Afeganistão.

As mulheres foram expulsas da maioria dos empregos no governo e do ensino médio, bem como obrigadas a se vestir de acordo com uma interpretação estrita do Alcorão.

Dezenas de milhares de meninas voltaram às aulas na quarta-feira depois que as escolas reabriram, mas as autoridades ordenaram que voltassem para casa horas depois, provocando indignação internacional.

As autoridades ainda não deram uma razão clara para a reversão da política.