Falso médico que mandou amputar perna de paciente também fingiu ser pastor

O falso médico que foi preso depois de mandar amputar a perna de uma vítima de um acidente de carro sempre teve um comportamento suspeito, segundo colegas. Em seu primeiro plantão, Gerson Lavísio, de 32 anos, aplicou uma medicação errada em uma vítima de acidente e fez uma sutura irregular.

"A conduta que ele tomava não era de um médico. Por exemplo, quando é problema de coluna, a gente tem que aplicar um analgésico, ou até mesmo um remédio via oral, mas o que que ele fez? Ele aplicou um calmante 10 mg na veia. O paciente ficou desfalecido já, não estava nem andando mais... E fez tudo errado", contou um dos colegas para a reportagem do Fantástico.

No entanto, Gerson não tinha apenas aspirações de ser médico. Antes, ele se passou por pastor, atendendo e pregando para fiéis. Ele dava orientações espirituais e chegava até a fazer previsões sobre o futuro, o que é condenado pela Bíblia.

Segundo a reportagem do Fantástico, o suspeito anunciava cultos em organizações que não existiam. Além disso, foi acusado de pedir dinheiro para viagens missionárias que nunca foram realizadas.

Em publicações nas redes sociais, ele chegava a compartilhar cartazes de eventos em que ele estaria, mas com endereços falsos. O suspeito fazia campanhas de oração e mentorias como "coach cristão". De um de seus discípulos, ele chegou a levar R$ 400, e, durante a pandemia, recebia contribuições mensais.

A polícia descobriu que ele usava CRM de um outro profissional que já havia falecido. O homem confessou que usou diploma falso e que exercia a profissão ilegalmente. Ele foi denunciado ao Ministério Público Federal na terça-feira (15) e foi detido em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo.

A denúncia veio depois que ele ordenou a amputação da perna de uma vítima de acidente, na rodovia Presidente Dutra. O procedimento despertou suspeitas por profissionais da saúde que estavam no local.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o homem confessou que não é médico, apenas fez curso de socorrista, e foi liberado após a assinatura de um termo circunstanciado. O caso foi registrado pelo 1º DP de Pindamonhangaba e encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).

Com seu diploma falso, Gerson trabalhou em três lugares, sendo dois relacionados a prefeituras. Em um posto de saúde em Parelheiros, na zona Sul de São Paulo, ele chegou a atender 18 pessoas, incluindo crianças e idosos.

Em outro momento, atuou em um serviço médico da prefeitura de Votorantim (SP), mas ficou apenas um dia e atendeu três pacientes. Ele levantou suspeita ao receitar o mesmo antibiótico para pessoas com problemas diferentes e realizar erros de português no prontuário.

Gerson tinha duas namoradas

Outra vítima de suas mentiras foi sua namorada. Ao Fantástico, Regiane Arabi revelou que conheceu Gerson pela internet. Ela conta que pagou algumas contas dele e que os valores nunca eram devolvidos.

Além das revelações de que ele atuava como falso médico, Regiane também descobriu que ele mantinha outro relacionamento. Ambas conversaram e descobriram que ele mandava as mesmas mensagens para as duas.