Saúde da mulher e HPV: como se prevenir

De acordo com os dados epidemiológicos do primeiro semestre de 2021 do Ministério da Saúde, o HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano) é um vírus presente em cerca de 54% da população feminina brasileira pesquisada. E o papilomavírus é responsável por 99% dos casos de câncer no colo do útero, afirma o estudo. Em março, Mês da Mulher, uma mensagem de alerta é necessária para conscientizá-las de que o cuidado com a saúde deve ser constante e que este tipo de câncer é um dos únicos que se pode prevenir por meio da vacinação.

O Dr. Alberto Chebabo, infectologista do Laboratório Sérgio Franco, explica as causas da doença e como a vacina atua na proteção contra o câncer no cólo do útero.

Como ocorre a transmissão do Papilomavírus Humano?


Dr. Alberto Chebabo: O HPV é um vírus que tem como principal forma de transmissão o ato sexual. Diferente do que se pensa, o papilomavírus é tão contagioso que apenas o contato com a região contaminada é suficiente para infecção, ainda que não haja penetração. Além do câncer no colo do útero, o HPV pode ampliar a possibilidade do câncer de garganta, de pênis e do canal anal. O sintoma visível principal é a verruga nas genitais, que carregam uma alta concentração do vírus. Outro sintoma é a alteração no colo do útero, que é detectada pelo exame preventivo.

Como a vacina age na proteção?


A vacina do HPV é quadrivalente, ou seja, protege contra as quatro principais variantes do vírus, sendo duas que causam as verrugas e as outras duas que causam câncer. A vacinação é fundamental para que se reduza a difusão do vírus. Por se tratar de uma transmissão no ato sexual, o HPV afeta mulheres e homens, com isso, quanto mais pessoas se protegem com a vacina, menos circulação o papilomavírus acontece.

A vacina deve ser aplicada em pessoas a partir de que idade?

Na rede pública de saúde, a vacina é oferecida para pré-adolescentes, entre 9 e 14 anos. Já na rede particular esse limite passa para 45 anos mulheres e 26 anos homens. Não se trata de uma vacina curativa, isto é, uma vez contraído o vírus, a vacina não atua nele, mas imuniza contra as outras principais variantes. 

O ideal é que a vacina seja aplicada nas pessoas antes do início da vida sexual, porque ainda não tiveram contato com o vírus. Mas, por se tratar de uma vacina quadrivalente, a imunização é recomendada por atuar na prevenção de lesões percussoras de câncer. Ainda que a pessoa tenha tido contato com uma das cepas do vírus, a vacina pode imunizar contras outras.

E qual a relação entre o HPV e a fertilidade?


A dificuldade encontrada é que o HPV pode alterar o colo do útero e impedir a nidação, que é o processo inicial da gestação, quando óvulo fecundado vai se instalar no endométrio, onde se desenvolve o bebê. Isso amplia o risco de abortamento. Por outro lado, o vírus não afeta diretamente o feto, quando a gravidez consegue avançar.

O HPV tem controle e não é um impeditivo para a relação sexual, desde que seja com uso de preservativo.

Como é feito o tratamento do HPV?


Não existe uma medicação oral. O tratamento é a retirada da lesão por cauterização ou por cirurgia e essa escolha depende de vários fatores, inclusive a gravidade do quadro. Quanto mais cedo se toma a vacina, maiores são as chances de prevenir a doença.