Dia Mundial do Rim: conheça a doença silenciosa que pode levar ao transplante Hoje, 10 de março, é comemorado o Dia Mundial do Rim, uma relevante data do calendário de saúde que tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce de doenças renais, além da necessidade de estratégias para a prevenção e o tratamento dessas doenças.

Segundo dados do Ministério da Saúde, somente a Doença Renal Crônica (DRC) causa pelo menos 2,4 milhões de mortes por ano e tem uma taxa crescente de mortalidade. No Brasil, a estimativa é de que mais de dez milhões de pessoas tenham a doença. "As doenças renais são consideradas silenciosas e, por isso, causam grande perigo à saúde. Sem ter um diagnóstico preciso, muitos pacientes deixam de buscar tratamento adequado e o quadro de saúde tende a se agravar", explica Pedro Túlio Rocha, nefrologista do Hospital São Lucas Copacabana, no Rio de Janeiro. Em casos mais agudos da doença, quando há insuficiência do órgão, o transplante de rim é a opção mais indicada para garantir a qualidade de vida ao paciente.

No São Lucas Copacabana, somente em 2021 foram realizados 27 transplantes de rim, sendo 26 procedimentos em 2020. De acordo com o nefrologista, o transplante renal, apesar de parecer invasivo, é o procedimento que gera os melhores resultados para os pacientes. "Quando a pessoa chega ao ponto de o rim perder a maior parte de sua função, ela precisará de hemodiálise, diálise peritoneal ou de transplante. E é o transplante que gera os melhores resultados", completa Rocha.

Um desses casos foi da assistente social Viviane Oliveira, de 43 anos, paciente do Dr. Pedro no Hospital São Lucas. Desde 2012, Viviane apresentava quadro de insuficiência renal, passando por diversos tratamentos, incluindo hemodiálise três vezes por semana. Em busca de uma melhor qualidade de vida, Viviane foi orientada pelo seu médico para entrar na fila de espera para o transplante de rim. A notícia de que havia a doação de órgão chegou na véspera da virada de 2022.

Viviane não esperou nem a chegada do ano novo e, para seguir o protocolo médico, precisava se internar no mesmo dia. Por ser réveillon, as ruas do bairro de Copacabana estavam interditadas e assistente social acabou sendo barrada em um bloqueio policial. Após convencer sua liberação, a paciente recebeu escolta policial até o hospital e, finalmente, pôde iniciar o ano de 2022 com rim novo. "Vivenciamos uma luta diária e precisamos ter esperança, como a que tivemos de que íamos conseguir chegar ao hospital. Apareceram anjos no meu caminho, como Dr. Pedro Tulio e aqueles policiais que me acompanharam. Só tenho a agradecer", afirmou Viviane.

Para o nefrologista do São Lucas, responsável pela cirurgia, o transplante trouxe uma nova etapa para sua paciente: "A hemodiálise é um procedimento que salva vidas, substitui a função renal, mas não é um tratamento completo como o transplante. Então é comum que pacientes jovens, como a Viviane, terem um grande desgaste após cada sessão (de hemodiálise), queda de produtividade".

Função dos rins

Pesando apenas 150 gramas cada, os rins fazem parte do nosso sistema excretor e osmorregulador, tendo como função filtrar e excretar substâncias não úteis presentes no sangue. Apesar do pequeno tamanho, essas duas estruturas pequenas trabalham com eficiência na eliminação de resíduos. Essa atividade é fundamental para o bom funcionamento do nosso corpo e, quando não é executada perfeitamente, é o sinal de que há algum problema ou doença nos rins.

As doenças que acometem os rins são diversas. Algumas delas são específicas desses órgãos, enquanto outras são ocasionadas por inflamações em outras áreas do corpo. Há doenças renais podem variar de brandas até graves.

Saiba quais são as seis doenças mais frequentes nos rins e quais os principais sintomas de cada uma:

1. Nefrite:

É uma inflamação na parte filtrante do rim conhecida como glomérulo. A nefrite aguda é mais comum de ocorrer, devido à infecção por bactérias. Quem contrai essa doença tem grandes chances de se curar espontaneamente. No caso da nefrite crônica, o quadro de inflamação é mais grave. É possível notar um aumento na quantidade de proteína e de sangue na urina, além de aumento da pressão arterial. Em casos mais graves de nefrite crônica, podem também ocorrer náuseas e vômitos, fadiga extrema e cãibras, principalmente à noite.

2. Infecção urinária:

Essa doença é mais frequente entre as mulheres e geralmente acontece na bexiga. Entretanto, ela se torna mais grave quando atinge os rins. Os sintomas mais comuns são: dor, ardência e urgência para urinar. Febre, dor lombar e calafrios também podem acompanhar casos mais graves da doença.

3. Cálculo renal:

Quando minerais e outras substâncias se reúnem e são depositados nos rins, pode formar o cálculo renal. Essa doença provoca dor intensa, geralmente no lado do abdômen e nas costas, e pode também vir acompanhada de náuseas.

4. Obstrução urinária:

A permanência de cálculos no interior das vias urinárias (ureteres, bexiga e uretra) dificulta a passagem da urina e causa a sua obstrução. Um sintoma característico dessa doença é a falta ou pequena quantidade de volume da urina e a dores ao urinar. Se não tratada de forma adequada, poderá levar a perda do rim.

5. Tumores renais malignos:

Essa doença é conhecida como câncer dos rins. As células sofrem mutações, dividem-se incontrolavelmente e acabam destruindo o tecido do órgão, levando a sua falência funcional. Os principais sintomas são: sangue presente na urina e obstrução urinária. Em casos mais avançados da doença, são palpadas massas abdominais e dor lombar intensa.

6. Doença renal crônica:

A doença renal crônica, também conhecida como insuficiência renal crônica (IRC), são lesões nos rins que causam a perda progressiva das funções de filtragem do órgão. Ela pode provocar anemia, hipertensão arterial e outras complicações ao paciente. Se não for tratada corretamente, ela pode comprometer definitivamente o funcionamento do órgão, levando à paralisação dos rins, que são responsáveis pela filtragem do sangue e eliminam substâncias nocivas no organismo.

Além das próprias doenças originadas no rim, o órgão também pode ter seu funcionamento prejudicado em consequência de doenças crônicas, como obesidade, hipertensão arterial e diabetes. Com o aumento excessivo de peso corporal, o metabolismo demanda uma filtragem de sangue maior que o costume, o que sobrecarrega o trabalho dos rins. Já em pessoas hipertensas, os rins ficam sobrecarregados e, ao longo do tempo, podem perder sua função. Em pacientes com diabetes, a longa exposição a níveis elevados de glicemia também sobrecarrega o funcionamento dos rins ao filtrar o sangue.

A prevenção de doenças que afetam os rins está diretamente relacionada a um estilo de vida saudável. Saiba quais medidas para cuidar melhor dos rins:

Dieta com redução de sal -- O ideal é ingerir cerca de 2 gramas de sal por dia. O excesso de sal no organismo faz com que os rins trabalhem em pressão mais alta.

Hidratação - Quanto mais água ingerir, mais diluído ficam os cristais filtrados pelos rins, que também são eliminados com mais frequência. A hidratação regular é essencial para todas as pessoas, em especial para as que possuem cálculos renais. O ideal é beber dois litros de água ao dia.

Controle de açúcar - Pessoas com diabetes devem também controlar a quantidade de açúcar ingerida para não sobrecarregar os rins. Idosos, pacientes com histórico de doença renal na família e indivíduos com doenças crônicas devem realizar acompanhamento médico anual.

Diagnóstico e Exames:

Um diagnóstico precoce contribui para um tratamento mais assertivo e eficaz. A doença pode ser detectada a partir de dois exames: análise de urina e sangue, que identificam os níveis de albumina e creatinina, respectivamente, proteínas que podem ser afetadas pela disfunção renal e estar em desequilíbrio em nosso organismo.