Ex-vereador do Rio preso por relação com milícia, pretendia se candidatar a deputado federal

O ex-vereador e ex-policial civil Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, de 73 anos, foi preso na tarde de ontem (27) por agentes da Polícia Interestadual e de Capturas (Polinter), em cumprimento a mandado de prisão pela condenação de crime cometido em 2005, de extorsão majorada pelo emprego de arma de fogo. Dois dias antes, ele anunciou em uma rede social que pretendia se candidatar a deputado federal pelo Patriota ainda neste ano.

"Eu sou um homem da Zona Oeste, sou um brasileiro, sou um patriota. Tenho capacidade de lutar pela minha Zona Oeste, eu tenho capacidade de discutir os projetos de interesse pelo Rio de Janeiro. Estou filiado ao partido do Patriota e vou colocar meu nome à disposição do Patriota numa pré-candidatura a deputado federal", disse Jerominho na terça.

Segundo os agentes, as investigações mostram que o grupo criminoso comandado por ele extorquia motoristas de vans na região de Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro. A quadrilha praticava ainda outros delitos naquela região como homicídios, extorsões, comércio irregular de água e venda de botijões de gás.

As investigações apontam que Jerominho seria o líder da milícia denominada Liga da Justiça, que agia na zona oeste da cidade e tinha como símbolo um morcego de asas abertas. Junto com o irmão Natalino Guimarães, também ex-policial civil e deputado estadual, a milícia era a mais poderosa do Rio nos anos 2000.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo criminoso extorquia motoristas de vans na região de Campo Grande, para que pagassem os valores determinados pela facção. Jerominho foi condenado a 16 anos de prisão. O miliciano foi encaminhado à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e depois levado a um presídio do Estado para cumprimento da pena.

A Liga da Justiça foi a maior e mais conhecida facção de milicianos do Rio de Janeiro. Seu símbolo é o escudo do super herói Batman. As casas que pagavam mensalidade, com proteção da milícia, tinham na frente da casa a figura do morcego de asas abertas.

Jerominho ja tinha sido preso em 2007, após ter sido condenado por outros crimes, e estava em liberdade desde 2018. O irmão, Natalino, foi preso na mesma época e também foi solto junto com o Jerominho. Eles cumpriram pena durante vários anos em presídio federal e depois foram levados para o Rio, onde terminaram de cumprir a condenação.