Campanha Não Esqueça da Hanseníase ilumina o Rio de roxo para mostrar que a doença tem cura A Prefeitura do Rio lançou nessa terça-feira (25), no Monumento Estácio de Sá, no Aterro do Flamengo, a campanha “Não Esqueça da Hanseníase”, em parceria com o Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), a Associação Nacional do Peritos Criminais Federais (APCF), a Sociedade Brasileira de Dermatologia e a Fundação Sasakawa pela Saúde. O local e outros cinco pontos na cidade foram iluminados na cor roxa: Arcos da Lapa; Monumento da Rocinha; Estação Cesarão I do BRT, em Santa Cruz; Câmara Municipal; e Castelo da Fiocruz, em Manguinhos.

As secretarias municipais de Assistência Social e Saúde, a Rioluz e o BRT são parceiros nessa iniciativa. Nesta terça também foi assinado acordo de cooperação para realização, até 31 de janeiro, de ações de conscientização em áreas estratégicas no Rio, como a Praça Saenz Peña, na Tijuca; Rocinha e Cinelândia e os calçadões de Bangu, Madureira, Campo Grande e Santa Cruz. Será feito ainda rastreamento de casos da doença no Rio.

– Nos próximos quatro meses, equipes dos órgãos e parceiros envolvidos intensificarão esse trabalho, incluindo o público dos abrigos da Prefeitura. No dia 27 de janeiro, nossas equipes farão busca ativa na URS Haroldo Costa, na Taquara, o primeiro a ser avaliado – disse a secretária municipal de Assistência Social, Laura Carneiro, ressaltando a importância da união de vários parceiros na campanha.

Secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz explicou que a hanseníase é uma doença transmissível infecciosa e curável, que provoca lesões na pele e afeta os nervos periféricos. A enfermidade pode acometer pessoas de ambos os sexos em qualquer faixa etária e, se não for tratada a tempo, pode levar a incapacidades físicas. O diagnóstico é realizado por meio de avaliação médica em todas as unidades de atenção primária do município do Rio de Janeiro. O doente não necessita de isolamento e pode – e deve – seguir com a sua vida normal, enquanto faz seu tratamento com medicação e acompanhamento de saúde nas unidades do SUS.

Em 2020, por causa da pandemia, mais de 45% de casos novos deixaram de ser diagnosticados, incluindo um percentual elevado de crianças, e essas subnotificações preocupam os especialistas. O Brasil é endêmico, diagnosticando cerca de 30 mil casos por ano, sendo o segundo país do mundo em registros de casos, só suplantado pela Índia. A maior incidência da doença é em áreas com menor índice de desenvolvimento humano (IDH). Além disso, entre os mais de 300 mil casos novos detectados no Brasil em dez anos (2010-19), quase 10% foram no grau mais incapacitante da doença, que provoca sequelas físicas irreversíveis. E 5,5% dos casos em crianças e adolescentes menores de 15 anos.

Na cerimônia das luzes, a compositora Jully Oliver, de 21 anos, moradora na cidade do Crato (CE), apresentou virtualmente a música “Não Esqueça da Hanseníase”.