Ex-ministra finlandesa encara o tribunal por tuitar trecho da Bíblia sobre homossexualismo Paivi Rasanen, ex-ministra do Interior e líder dos democratas-cristãos na Finlândia, nega todas as quatro acusações de incitação contra um grupo minoritário, relacionadas a uma aparição em um programa de rádio e textos online sobre relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Rasanen descreveu a homossexualidade como um "distúrbio de desenvolvimento psicossexual" e disse que as pessoas homossexuais são "disfuncionais".

Uma acusação está relacionada a um tweet de junho de 2019 no qual a parlamentar criticou a igreja luterana finlandesa por fazer parceria com as celebrações do Orgulho LGBT daquele ano, acusando a organização de "elevar a vergonha e o pecado a um assunto de orgulho".

A postagem foi acompanhada por uma foto de uma passagem do Novo Testamento que descrevia atos homossexuais como "vergonhosos" e "antinaturais".
Os procuradores pediram que a deputada recebesse uma multa relativa aos seus rendimentos que pode ultrapassar os 13 mil euros (cerca de R$ 80 mil).

Um grupo de apoiadores se reuniu do lado de fora do Tribunal Distrital de Helsinque, na manhã de segunda-feira (24), onde Rasanen chegou carregando uma Bíblia.

Ela disse à imprensa que se sentia "honrada por defender a liberdade de expressão e religião".

"Espero que hoje fique claro que não desejo ofender nenhum grupo de pessoas, mas esta é uma questão de salvar as pessoas para a vida eterna", disse Rasanen.

Os juízes recusaram ontem o pedido de sua equipe jurídica para retirar uma das acusações com base no fato de que viola o direito à liberdade de religião estabelecido na Convenção Europeia de Direitos Humanos.

Quando foi ministra do Interior entre 2011 e 2015, Rasanen votou as atuais leis de incitação da Finlândia através do parlamento.

"Nunca me ocorreu que meus próprios escritos poderiam um dia ser ilegais", disse Rasanen na segunda-feira.