Doses seguidas de reforço contra Covid podem enfraquecer sistema imunológico, diz estudo A Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês) alertou que as sucessivas administrações de doses de reforço contra a Covid-19 podem enfraquecer o sistema imunológico, além de não combaterem o vírus.

As doses de reforço “podem ser dadas uma vez, ou talvez duas, mas não é algo que podemos pensar que deve ser repetido constantemente”, afirmou Marco Cavaleri, responsável pelo departamento de Estratégia de Ameaças Biológicas para a Saúde e Vacinas da EMA, durante a coletiva de imprensa realizada na semanada passada.

Cavalieri aponta que “não podemos continuar a dar uma dose de reforço a cada três ou quatro meses“, uma vez que isso pode, eventualmente, desencadear um enfraquecimento da resposta imunológica dos cidadãos e causar fadiga. “É claro que quando se trata de pessoas vulneráveis e de imunodeprimidos, a situação será um pouco diferente, realmente, para os imunodeprimidos é de se esperar que uma quarta dose seja necessária”, afirmou.

Assim, Marco Cavaleri defende que deve ser feita uma avaliação “abrangente” para que se possa determinar “qual poderá ser a melhor estratégia para a vacinação ao longo do tempo” para a população em geral. “Precisamos pensar de que modo podemos fazer a transição do atual cenário de pandemia para um cenário mais endêmico”, sinalizou.

Estas declarações surgem no momento em que Israel deu “sinal verde” à administração de uma quarta dose de reforço para a população mais vulnerável, tornando-se o primeiro país a administrar quatro doses contra a Covid.

No entanto, de acordo com um estudo preliminar realizado em Israel, uma quarta dose da vacina contra a Covid-19 aumenta os anticorpos para níveis ainda mais altos do que a terceira dose, mas provavelmente não é suficiente para prevenir infecções pela variante Ômicron do coronavírus.
 
O Centro Médico Sheba em Israel administrou uma segunda dose de reforço em um estudo com sua equipe e está estudando os efeitos da dose da vacina da Pfizer em 154 pessoas após duas semanas, e do reforço com o imunizante da Moderna em 120 pessoas após uma semana, afirmou Gil Regev-Yochai, diretor da Unidade de Doenças Infecciosas.

Esse grupo está sendo comparado com um grupo de controle que não recebeu a quarta dose. Os voluntários no grupo da Moderna haviam recebido três doses da vacina da Pfizer, afirmou o hospital.

A dose adicional levou a um aumento no número de anticorpos "até mesmo um pouco maior do que o que tínhamos após a terceira dose", disse Regev-Yochay.

As descobertas, que segundo o hospital são as primeiras do tipo no mundo, são preliminares e ainda não foram publicadas.