Satanista critica danças com funk gospel no TikTok

Jovens, adolescentes e até adultos cristãos usam as redes sociais para falar do Evangelho de forma contextualizada, alcançando um público que talvez não tivesse acesso à Palavra de Deus no formato mais tradicional. Mas até que ponto a adaptação do Evangelho pode chegar? Recentemente, um satanista fez um vídeo no TikTok em que critica adolescentes cristãs dançando funk gospel.

Vick Vanilla, que se apresenta na rede social como líder de templo luciferiano, mestre bruxo e palestrante, fez sua acusação e falou sobre a apropriação cultural do funk por parte de algumas igrejas evangélicas.

“Eu sou um satanista e não tenho Jesus como símbolo de fé. Mas tenho nele a figura histórica deste filósofo com profundo respeito. Eu jamais usaria o nome daquele que chamo de Messias em dancinhas vulgares, toscas, no TikTok”, disse ele citando ainda a escatologia cristã que difere o sagrado do profano.

“O que vocês estão fazendo é pegando um símbolo de fé, que é Jesus, e transformando isso em moeda de troca, de seguidores, de likes de projeção nas redes”, completou.

Pastores comentam

O pastor Luciano Manga, da Igreja Vineyard e colunista do Melodia News, lamentou o fato de alguns irmãos em Cristo não valorizarem a figura de Cristo.

"Entendo todo o aspecto cultural que temos em nosso país, porém, poderíamos valorizar um pouco mais a pessoa de Jesus de Nazaré. Por isso que hoje estamos vendo um retorno de alguns jovens para algo mais litúrgico e tradicional. Parece que muita gente tem se cansado de tanta modernidade", comentou o pastor.

Para o pastor Níger Martins, também nosso colunista e presidente da Igreja de Nova Vida - Ministério É de Deus, é preciso estudar situação por situação e tentar entender se há um contexto de um certo legalismo religioso, ou se está indo para o lado do desrespeito e do anti-bíblico.

“Eu nem vou comentar sobre o autor deste video e até se ele entende o que é ser satanista. Mas quero falar sobre esta apropriação cultural e da chamada contextualização. A apropriação cultural ocorre quando uma cultura se apropria de elementos, símbolos, de uma outra cultura. A questão é quando é que a gent epode definer que algo é exclusivo de uma cultura e não é de outra. Isso é muito difícil de ser definido”, disse o pastor Níger.

“A igreja sempre caminha num fio de equilíbrio muito delicado que é não permitir que o secularism invada, não permitir que ela seja contaminada com elementos do mundo que venham contra a fé, a sã doutrina. Mas por outro lado, ela não pode simplesmente ficar engessada, sem entender o que ocorre no mundo, presa a dogmas que são estritamente humanos e não bíblicos”, continuou o pastor.

“Um exemplo foi quando surgiu a guitarra. Foi um escândalo quando ela começou a ser usada nas igrejas, porque ela era um símbolo do rock, que por sua vez era considerado como algo do Diabo. Lembro que houve esta mesma polêmica quando o grupo Rebanhão começou a tocar rock gospel. Por outro lado também, não podemos cair no extremo do desrespeito. Algumas dessas dancinhas, desse tipo de coisa, que soam como desrespeito, quando não como heresia”, concluiu.

O fato nos faz lembrar que devemos conhecer mais a Bíblia, tê-la como algo verdadeiramente sagrado e que rege a nossa fé, pois segundo a própria Palavra, o “acusador de nossas almas” a conhece profundamente e poderá usá-la contra nós. Devemos nos examinar diariamente e lembrando, sobretudo, de não usar o nome do Senhor em vão, assim como diz o terceiro mandamento em Êxodo 20.7:

"Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus, pois o Senhor não deixará impune quem tomar o seu nome em vão.”

Em tempo, a música em que as adolescentes aparecem dançando no TikTok se chama "Tropa de Jesus", do Mc Jamil. Sua letra cita enaltece o nome de Jesus, mas no contexto do funk.