Uso recreativo da maconha diminui a inteligência do usuário, alerta neurocientista

Neste mês de dezembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou dois produtos à base de Cannabis. O primeiro é uma solução de uso oral contendo 23,75 miligramas por mililitro (mg/mL) de canabidiol (CBD), com até 0,2% de tetraidrocanabidiol (THC). E o segundo é o extrato de Cannabis Sativa Alafiamed 200 mg/ml, obtido a partir do estrato vegetal da Cannabis sativa — popularmente conhecida como maconha. Ao todo, já são nove produtos à base de Cannabis aprovados pela agência.

Segundo a Anvisa, o canabidiol pode ser prescrito quando estiverem esgotadas outras opções terapêuticas disponíveis no mercado brasileiro. A indicação e a forma de uso são de responsabilidade do médico, sendo que o paciente deve ser orientado em detalhes sobre o uso.

Enquanto o uso terapêutico da maconha avança no Brasil, seu uso recreativo ainda é visto como algo prejudicial. A partir de estudos sobre o efeito da Cannabis sativa (popularmente conhecida como maconha) no cérebro, o PhD neurocientista, biólogo e historiador Fabiano de Abreu concluiu em seu artigo que o uso crônico, via fumo, desta substância diminui a inteligência do usuário. O neurocientista explica que na maconha inalada via fumo há uma substância psicoativa chamada de Tetra-hidrocanabinol (THC) que altera a capacidade cognitiva do usuário, provocando sintomas como perda de memória e redução da velocidade de raciocínio. 


Quais são as principais alterações provocadas pela inalação da maconha?

Fabiano de Abreu: O conceito de inteligência geral foi desenvolvido para definir habilidades gerais, tais como memória e capacidade mental que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar e resolver problemas. Pacientes que fazem uso crônico da Cannabis sativa inalada por fumaça apresentam alterações comportamentais, tais como: lentidão, falta de memória, falta de localização espacial, perda de motivação e falta de raciocínio lógico.


Qual foi a metodologia de pesquisa que o conduziu a tais conclusões? 

Por meio  de  entrevista  com  cinco  psicólogos,  foi  relatado  que  seus  pacientes crônicos  usuários  da substância afirmaram  ter  dificuldade  no  aprendizado  apresentando perda  de  memória,  dificuldades  em  permanecer  concentrados  em  determinada função e alterações nas funções cognitivas.

Usuários de maconha, portanto, têm maior dificuldade de aprendizado?

Atualmente, existem evidências que usuários de maconha podem sofrer problemas no processamento da memória a curto prazo. A hipótese é de que a Cannabis sativa compromete a sinalização neural quando se liga aos receptores responsáveis pela memória no cérebro. Consequentemente, pode afetar  a  capacidade  de  aprendizagem e até mesmo desencadear problemas  de  concentração.


O psicólogo e escritor André Barbosa, especializado em terapia cognitivo-comportamental pela UniChristus, descreve outros efeitos da Cannabis sativa na saúde mental.

Dr. André Barbosa: O uso de maconha potencializa o desenvolvimento de psicoses como a esquizofrenia, e pode ativar, em jovens, o transtorno afetivo bipolar, síndrome do pânico e também a depressão.