Ciro Gomes é alvo da Polícia Federal em investigação que apura desvios em obras do Castelão

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (15) a Operação Colosseum, que apura um suposto esquema de propina durante as obras de construção da Arena Castelão, em Fortaleza/CE, entre 2010 e 2013. Entre os alvos da operação está o pré-candidato à Presidência da República Ciro Gomes.

Segundo a PF do Ceará, 80 policiais federais cumprem 14 mandados de busca e apreensão expedidos pela 32ª Vara da Justiça Federal, em domicílios investigados nas cidades de Fortaleza-CE, Meruoca-CE, Juazeiro do Norte-CE, São Paulo, Belo Horizonte e São Luís-MA. As buscas têm como objetivo apreender mídias digitais, aparelhos celulares e documentos. Na época do suposto esquema, Cid Gomes, irmão de Ciro, era governador do Ceará.

Em suas redes sociais, Ciro classificou a ação de busca e apreensão em sua residência como “abusiva” e afirmou que o presidente Jair Bolsonaro transformou o Brasil em um “Estado Policial”.

Ciro alegou que a ação de busca e apreensão chega a ser “pitoresca”. “O Brasil todo sabe que o Castelão foi o estádio da Copa com maior concorrência, o primeiro a ser entregue e o mais barato construído para Copas do Mundo desde 2002. Ou seja, foi o estádio mais econômico e transparente já feito para a Copa do Mundo”, defendeu o político, que negou ter envolvimento com o suposto esquema de corrupção.

Em 2010, Ciro havia acabado de encerrar seu mandato como deputado federal. Ele só voltou a assumir cargo público em 2013, quando foi nomeado secretário estadual de Saúde do Ceará.

As investigações da Polícia Federal do Ceará tiveram início no ano de 2017. Na época, os agentes identificaram indícios de esquema criminoso envolvendo pagamentos de propinas para que uma empresa obtivesse êxito no processo licitatório da Arena Castelão.

Segundo a PF, os pagamentos de propina chegaram a R$ 11 milhões em dinheiro ou disfarçados de doações eleitorais, com emissões de notas fiscais fraudulentas por empresas fantasmas.

A partir das buscas e apreensão, os agentes analisarão o material apreendido e o fluxo financeiro dos suspeitos. Caso comprovado o envolvimento, os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, fraudes em licitações, associação criminosa, corrupção ativa e passiva.