Interpol rejeita pedido do STF e não inclui apoiadores de Bolsonaro em lista de procurados A Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) ainda não atendeu aos pedidos de autoridades brasileiras para incluir apoiadores do presidente Jair Bolsonaro investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na lista internacional de procurados. Ao que parece, o órgão teme que tais investigações sejam uma forma de perseguição política.

Segundo o jornal "Folha de S. Paulo", a Interpol rejeitou o pedido de autoridades brasileiras para adicionar o caminhoneiro Zé Trovão e ainda não respondeu o pedido para incluir o jornalista Allan dos Santos (foto) na difusão vermelha, categoria usada pela instituição internacional para notificar as demais polícias sobre foragidos procurados. Normalmente a inclusão na lista ocorre de maneira rápida, mas neste caso a Interpol colocou o pedido do STF em dúvida.

A Interpol reúne representantes de cerca de 200 países e é uma organização internacional que facilita a cooperação policial mundial e o controle do crime. A lista de difusão vermelha funciona como um alerta para que os aproximadamente 190 países-membros da instituição saibam que há mandados de prisão pendentes contra criminosos procurados em seus países de origem, permitindo que sejam presos e extraditados.

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a difusão vermelha deve ser acessada em casos de "ordem de prisão por decisão judicial criminal definitiva, de sentença de pronúncia ou de qualquer caso de prisão preventiva em processo crime".

Perseguição política
O caminhoneiro Zé Trovão teve seu pedido de prisão expedido por Alexandre de Moraes, ministro o STF, por participar da organização dos atos do dia 7 de setembro pela liberdade de expressão e em apoio ao presidente Bolsonaro. Ele chegou a ficar foragido no México, e mesmo assim não foi incluído na lista da Interpol. Ele acabou retornando ao Brasil e se entregando à Polícia Federal.

Já o jornalista Allan dos Santos, que vive nos Estados Unidos, é acusado pelo STF de integrar uma milícia digital para atacar a democracia e as instituições, porque tem se manifestado contrário às decisões dos juízes. Sua prisão e extradição foram decretadas no dia 5 de outubro.