Colégio cancela apresentação de teatro infantil por uso de linguagem neutra A linguagem neutra (como todes e elu, por exemplo) apesar de não existir na Gramática da Língua Portuguesa, foi usada durante apresentação de um espetáculo infantil no Colégio Farroupilha, em Porto Alegre/RS. Insatisfeita com o uso incorreto do idioma, a unidade de ensino decidiu cancelar outras três encenações que o Grupo Cerco faria na escola. O caso aconteceu no final de outubro, e os artistas falam em ato de censura. Já a instituição alega que o uso de "termos não reconhecidos pela norma-padrão" motivou a decisão.

A primeira e única apresentação do grupo foi realizada na última sexta-feira de outubro, às 8h30, na instituição.

O grupo teria mais dois espetáculos naquele dia. Depois de um intervalo, no retorno à escola, porém, receberam a notificação de que deveriam alterar a linguagem do texto ou o espetáculo seria cancelado. O grupo chegou a cogitar algumas mudanças rápidas, mas veio uma segunda notificação dizendo que qualquer deslize na peça, ela seria cancelada. Os artistas, então, optaram por não se apresentarem.


Confira a nota do Colégio Farroupilha:
“No Colégio Farroupilha, atuamos há mais de 135 anos em prol de uma educação de qualidade.

Informamos, portanto, que nosso Projeto Pedagógico prima pelo desenvolvimento de conteúdos e habilidades vinculados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), respeitando as variantes do idioma, mas reconhecendo, sobretudo, a escola como espaço primordial de aquisição e exercício da norma-padrão da língua portuguesa.

Em relação ao espetáculo Puli-Pulá, esclarecemos que o Grupo Cerco foi contratado para realizar quatro apresentações. Contudo, durante a primeira e única exibição, identificamos a utilização de termos não reconhecidos pela norma-padrão da nossa língua, o que consideramos inadequado, observando-se, ainda mais, a faixa etária de crianças em fase de alfabetização ou ainda não alfabetizadas. Em razão disso, as demais apresentações foram canceladas.

Por fim, reiteramos que educamos para formar cidadãos competentes, éticos e globais e que, ademais, acreditamos na parceria entre famílias e escola no desempenho desse compromisso.”


(Foto: Adriana Marchiori / Divulgação)