Campanha busca levar informação e educação sobre saúde auditiva para a população Nesta quarta-feira, 10 de novembro, é celebrado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez. Um estudo do Global Burden of Disease (Carga Global de Doenças- 2017), mostrou que a perda auditiva é a 3ª causa mais frequente de problemas de saúde, quando consideramos anos vividos com deficiência, atrás até de doença cardíaca (especialmente hipertensão arterial) e artrite. Ou seja: se vamos viver mais tempo, aumenta a chance de desenvolvermos alguma deficiência ao longo dos anos.

A perda auditiva é uma das deficiências mais comuns na população brasileira. E o que muita gente não sabe é que nem toda pessoa deficiente auditiva nasceu assim, e que uma boa parte das dificuldades auditivas poderiam ser evitadas. A otorrinolaringologista Dra. Maura Neves, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF, explica que todo mundo pode ter perdas auditivas por exposição excessiva ao ruído, uso de remédios, infecções, acidentes, decorrentes da idade ou causas de origem genética.

Em pesquisa realizada pela OMS, a surdez ocupou o quarto lugar na lista de doenças. Ela é considerada a primeira deficiência com mais impacto no índice de qualidade de vida da população, mais do que deficiência visual, de locomoção e outras 345 doenças. Isso levou a OMS a colocá-la como uma de suas cinco prioridades para este século.

Dra. Maura Neves explica que a surdez é classificada em quatro estágios: leve, moderada, severa e profunda. O que diferencia uma da outra é o quanto uma pessoa é capaz de ouvir, sendo o parâmetro o decibel - medida de intensidade de som. Uma audição normal consegue ouvir abaixo de 25 decibéis, por exemplo, o canto de um passarinho, em torno de 10 decibéis, ou o ruído de um ponteiro de relógio de parede, 30 decibéis. "Uma pessoa com deficiência auditiva leve só ouve a partir de 30 decibéis; com moderada, a partir de 50, com severa, a partir de 80 e com profunda, a partir de 100." Completa a médica.

O mais importante é cuidar da audição para que ela permaneça intacta e permita desfrutar todos os sons que a vida oferece. Para isso, algumas dicas simples da médica podem se tornar essenciais, confira:

• Evite ambientes barulhentos por muito tempo;

• Utilize sempre os acessórios de proteção auditiva (EPI) se as atividades profissionais exigirem muita exposição á ruídos intensos;

• Evite ouvir música em volume acima da metade da capacidade dos aparelhos, principalmente com fones de ouvido;

• Em casos de infecção de ouvido, procure um otorrinolaringologista e faça o tratamento indicado. Infecções, especialmente aquelas de repetição, são riscos potenciais de perda auditiva;

• Cuidado com objetos pontiagudos ou cotonetes. Esse tipo de objeto pode empurrar a cera para o tímpano ou até perfurar a membrana timpânica e afetar a audição;

• Se perceber dificuldade em entender ou grande necessidade em aumentar o volume da televisão, procure um especialista para fazer um exame de audição. Quanto mais cedo se cuidar, melhor!

Para finalizar, a otorrino comenta que a prevenção é o melhor remédio. "Perdas de audição são irreversíveis e poucas mudanças de hábito já surtem excelentes efeitos benefícios para a saúde auditiva, lembre-se de que ouvir é um privilégio", diz.