Evangélicos lamentam a morte da Rainha da Sofrência que começou carreira na igreja

“Ninguém vai sofrer sozinho, todo mundo vai sofrer” diz o refrão de um dos muitos sucessos da Rainha da Sofrência, Marília Mendonça. E parece ser exatamente esta a sensação de cada brasileiro neste fim de semana, após a trágica e precoce morte da cantora de 26 anos. O resgate dos corpos dos cinco ocupantes do bimotor que caiu na tarde desta sexta-feira (05) em Caratinga, no interior de Minas Gerais, foi acompanhado por milhares de brasileiros através de transmissões nas redes sociais. Todos em oração para que aquela cena da aeronave espatifada em uma cachoeira não passasse de um susto. Mas o primeiro corpo foi resgatado; era de um homem. E as imagens mostraram o segundo, quando todos viram um pedaço da roupa inconfundível, a mesma que Marília usava em uma transmissão em suas redes sociais, momentos antes da queda. Era o adeus a um dos maiores fenômenos da música brasileira dos últimos tempos.

A jovem tão ativa nas redes sociais, que alcançou o primeiro lugar entre as lives mais assistidas em 2020, com uma audiência de 3,31 milhões de visualizações simultâneas, naquele momento de dor, sendo retirada dos destroços de um bimotor em uma cachoeira, de alguma forma, parecia também interagir com os seus fãs, mesmo já sem vida. Marília Mendonça era considerada um fenômeno. E sua morte foi sentida não apenas no meio sertanejo, mas também do gospel ao funk.

O pastor André Valadão foi um dos que lamentaram a perda da sertaneja. Em uma foto preto e branco de Marília, com o versículo de João 11.25-26, ele deixou seu recado. “Assim permitiu, que o consolo do Espírito Santo venha sobre o pequeno Leo, a todos seus familiares e a todos ali embarcados. Estou aqui orando por todos”, disse citando o filho da cantora, agora órfão, de apenas 2 anos, e os outros 4 ocupantes do bimotor que também morreram.

Fernanda Brum preferiu homenagear Marília Mendonça com uma reflexão. Entre outras palavras, ela disse: “Hoje, mais uma vez, ficamos com a lição de que a vida é um sopro, que é como um piscar de olhos. Assim como a volta de Jesus. Ele vem nos buscar e a eternidade existe sim!”.

Na mesma linha seguiu o pastor Renato Vargens. “A morte de uma pessoa jovem serve para nos mostrar duas coisas: a brevidade da vida e o fato de que não sabemos nada sobre o dia de amanhã. Cabe, portanto, a cada um de nós pensarmos que a morte é uma realidade, e que em breve todos nós estaremos diante do Criador”, postou em suas redes sociais. 

O talento de Marília Mendonça começou na igreja, de onde ela saiu por decepções. Há algum tempo, no programa Lady Night, da Globo, Marília desabafou que a “igreja não foi muito legal com ela”. Na época, ela disse à apresentadora Tatá Werneck que ainda adolescente seu padrasto saiu de casa após trair sua mãe. Ela teve que trabalhar cedo cantando em um bar. Segundo Marília, pessoas da igreja começaram a criticá-la por causa do seu trabalho.

“Na igreja que eu ia todo mundo cantava, as adolescentes tinham um playbackzinho, sabendo cantar ou não. Hoje não tenho religião, acredito muito em Deus, ando com minha Bíblia. A religião não foi muito legal comigo. Como eu cantava na igreja e tinha que cantar às vezes em um bar, nessa época não existia bebida, eu não ia para o bar pra curtir, não ia pra beber, eu ia pra trabalhar. E eu não fui muito bem aceita nesse momento. Meu padrasto saiu de casa, minha mãe também foi traída, e eu tinha que trabalhar, tinha que dar um jeito, e a gente não foi bem aceito por isso. Nunca me senti abandonada por Deus, em momento nenhum. E parei de achar, porque hoje eu vejo com essa questão de preconceito, de tudo isso que acontece, que as pessoas param de acreditar em Deus, param de amar a Deus por causa de um falador que fica falando que Deus não te ama do jeito que você é. Eu parei de ouvir as pessoas do mundo para escutar a voz de Deus e estou com Ele até hoje", desabafou Marília.

E é esta a oração agora dos milhares de fãs que colocaram Marília Mendonça para sempre na história da música brasileira: que ela esteja com Deus.