Reportagem da Exame que influenciou fala de Bolsonaro sobre vacinas e Aids foi atualizada

O presidente Jair Bolsonaro alegou ter associado a vacina contra a Covid-19 ao maior risco de contaminação pelo vírus da Aids após ler uma reportagem da revista Exame publicada no dia 20 de outubro de 2020 e atualizada nessa segunda-feira (25), após a repercussão do fato. A live do presidente da semana passada em que ele comenta a reportagem feita pelo jornalista Rodrigo Loureiro foi retirada do ar pelo Facebook e também pelo YouTube por “violar as diretrizes de desinformação médica sobre a Covid-19”.

Na reportagem da Exame, o jornalista cita um estudo do jornal científico The Lancet que “está causando preocupação na comunidade médica que tenta desenvolver uma vacina contra a Covid-19.” O texto diz que “de acordo com pesquisadores, algumas vacinas que usam um adenovírus específico no combate ao vírus SARS-CoV-2 podem aumentar o risco de que pacientes sejam infectados com HIV”.

Depois que Bolsonaro atribuiu à Exame  a afirmação que fez em 21 de outubro de 2021, a revista decidiu atualizar seu texto. As mudanças começaram no último domingo (24). Segundo o site Wayback Machine, que coleta versões de bilhões de URLs (endereços das páginas) de toda a internet, essa página foi atualizada 15 vezes.

Foram 10 vezes apenas na segunda-feira (25). A Exame, que pertence ao grupo BTG Pactual, controlado pelo banqueiro André Esteves, também alterou o título da reportagem:



20.out.2020 – título original: “Algumas vacinas contra a Covid-19 podem aumentar o risco de HIV”;


25.out.2021 – “Out/2020: Algumas vacinas contra a Covid-19 podem aumentar o risco de HIV?”


Numa das atualizações, o texto da Exame recebeu um novo parágrafo para explicar que não há comprovação da relação entre vacinas contra a Covid e HIV.

Carlos e Eduardo Bolsonaro, filhos do presidente e que também são vereador e deputado federal, respectivamente, repercutiram o tema em suas redes sociais, alegando se tratar de um ataque da imprensa ao mandatário.