Governo Federal lança programa Refeição em Família com foco na redução do uso de drogas Garantir pelo menos uma refeição por dia em que filhos e pais/responsáveis estejam juntos ao redor da mesa é um fator de proteção de destaque em pesquisas e estudos sobre prevenção ao uso e abuso de drogas. A refeição em família é vista como comportamento essencial para o desenvolvimento emocional e social de crianças e adolescentes. Fortalece vínculos com os pais, melhora o vocabulário, auxilia nas notas na escola e reduz chances de desenvolvimento de depressão, pensamentos suicidas, uso de álcool e outras drogas e casos de violência.

“O fortalecimento de vínculos familiares é um fator de proteção não apenas ao uso de álcool e de outras drogas. Essa geração de vínculos gera proteção contra depressão, ansiedade, suicídio, gravidez na adolescência", afirma Quirino Cordeiro Júnior, secretário nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania

Foi a partir dessas premissas que o Governo Federal lançou a campanha Refeição em Família, numa iniciativa que une o Ministério da Cidadania, por meio da Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas, e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a partir da Secretaria Nacional da Família. A campanha parte de um Acordo de Cooperação Técnica que envolve, também, a Cruz Azul no Brasil e investe em vídeos e ações em ambientes digitais para reforçar esses conceitos. Foi lançada como uma das atividades da Semana de Valorização da Família.

“É um caminho não só para a prevenção às drogas e a comportamentos de risco. É um caminho para unir a família e cultivar o amor e o hábito de estar juntos periodicamente de maneira natural”, comentou a secretária nacional da Família, Ângela Gandra. “Comer é um ato social para o ser humano. Uma celebração. Fomos perdendo esse hábito. Nas famílias, foi ficando para um domingo, uma coisa esparsa, e é preciso promover”, completou a secretária da Família Ângela Gandra.

Segundo ela, esse momento conjunto facilita o acompanhamento de cada integrante, em especial dos filhos, crianças, adolescentes e jovens. “Não é um acompanhamento de controle, mas de gerar interesse. Essa conversa faz com que os pais possam atingir o coração dos filhos”.

Digital em excesso
Diante de uma sociedade em que as experiências individuais em ambientes digitais, em especial com o celular, tornaram-se quase regra, a campanha pretende reforçar que as refeições em família rompem em parte esse ciclo. Um estudo do Data Reportal de 2019, por exemplo, indicou que o Brasil só fica atrás das Filipinas em termos de horas na internet. Os brasileiros passam um total de 9h29min por dia, bem acima da média global de 6h42min.

“É um caminho para unir a família e cultivar o amor e o hábito de estar juntos periodicamente de maneira natural”, diz Ângela Gandra, secretária nacional da Família.

Em 2019, a Sociedade Brasileira de Pediatria alertou que o uso excessivo da internet vem sendo responsável pela mudança de hábitos de crianças e está conectada direta ou indiretamente a diversas doenças, em especial as relacionadas a pensamentos ou gestos de autoagressão e suicídio.

“Diante disso, o fortalecimento de vínculos familiares é um fator de proteção não apenas ao uso de álcool e de outras drogas. Essa geração de vínculos gera proteção contra depressão, ansiedade, suicídio, gravidez na adolescência. Por isso, estamos muito felizes com a possibilidade de estarmos juntos nessa importante ação”, comentou Quirino Cordeiro Júnior, secretário nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania.

Presidente da Cruz Azul no Brasil, Rolf Hartmann incentivou as pessoas a começarem a partir de pequenas metas. “Se não é possível todos os dias, tente dois dias por semana. Fixe metas possíveis. Estamos falando de rotina. O importante é lembrar que o tempo não volta e que o presente para seus filhos é estar presente”, comentou o dirigente.

Segundo Hartmann, as consequências de adotar esse hábito se desdobram em múltiplas vertentes positivas. Para ele, os “presenteados” com essa decisão de compartilhar as refeições são não só os filhos, mas os pais, que se conectam mais com as crianças, como casal e com o que é essencial. Mas o efeito positivo é ainda mais amplo.

“O aluno sai ganhando, porque fica mais confiante. A saúde pública ganha, com menos casos de dependência de álcool e drogas. A segurança pública ganha, com menos violência social. A assistência social ganha. A economia ganha. A sociedade como um todo ganha com cidadãos com uma vida saudável e de desenvolvimento pleno. A prevenção começa em casa, na família. As palavras convencem, mas os exemplos arrastam”.


*Ministério da Cidadania