Gangues sequestraram 17 missionários americanos e crianças no Haiti Uma gangue armada no Haiti sequestrou 17 missionários e seus familiares, incluindo crianças, quando eles estavam deixando um orfanato, de acordo com um ex-diretor de campo do grupo Christian Aid Ministries.

Um alerta de áudio em busca de orações, enviado pelos Ministérios de Ajuda Cristã com sede em Ohio, diz que “homens, mulheres e crianças” ligados ao grupo estão sendo mantidos por uma gangue armada perto de Porto Príncipe, relatou o jornal The Washington Post.

Os cristãos foram sequestrados no sábado (16) enquanto viajavam de carro para Titanyen, depois de visitar um orfanato na área de Croix des Bouquets, disse a CNN americana. Três menores estão entre os sequestrados, segundo as forças de segurança do Haiti.

“O bem-estar e a segurança dos cidadãos americanos no exterior é uma das maiores prioridades do Departamento de Estado”, disse um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA. “Estamos cientes desses relatórios e não temos nada adicional a oferecer no momento.”

O incidente ocorreu um dia depois que o Conselho de Segurança da ONU estendeu sua missão ao país caribenho por nove meses em uma votação unânime.
Em abril, a polícia do Haiti teria disparado gás lacrimogêneo contra dezenas de pessoas que participavam de uma "Missa pela liberdade do Haiti" na Igreja de São Pedro em Pétion-Ville, um subúrbio da capital, Porto Príncipe, liderada por bispos católicos como parte de um protesto nacional contra o sequestro de cinco padres, duas freiras e três leigos nos meses anteriores.

A empobrecida nação está lutando contra consequências sociais e políticas do assassinato do presidente Jouvenal Moïse, em julho. Os haitianos vêm pedindo aos Estados Unidos que enviem tropas para estabilizar a situação.

O governo Biden recusou o pedido de tropas feito pelo primeiro-ministro interino do Haiti, Claude Joseph, dizendo que os EUA enviariam apenas oficiais de segurança para avaliar a situação, informou o Wall Street Journal na época.

A liderança interina de Joseph, que era aliado do falecido presidente, estava sendo contestada por alguns políticos haitianos. Ele assumiu o comando após o assassinato de Moïse, ocorrido no dia seguinte ao da nomeação de um novo primeiro-ministro pelo presidente, o neurocirurgião Ariel Henry. O presidente Moïse também foi acusado de corrupção, de ter ligações com gangues criminosas e de prolongar seu mandato.

O Haiti viu um aumento na criminalidade desde o ano passado. 

O Escritório Integrado da ONU no Haiti afirmou em um relatório de fevereiro que houve 234 sequestros nos 12 meses anteriores, um aumento de 200% em relação ao ano anterior.

As autoridades do Haiti relataram 1.380 assassinatos em 2020.

De acordo com o grupo de vigilância Fondasyon Je Klere, mais de 150 gangues atuam no Haiti.

Pelo menos 628 sequestros foram registrados no Haiti desde janeiro, dos quais 29 são estrangeiros, disse a CNN, citando dados divulgados este mês pelo Centro de Análise e Pesquisa em Direitos Humanos, uma organização sem fins lucrativos com sede em Porto Príncipe.

Um terremoto, em agosto, matou mais de 2.000 pessoas deixando a situação ainda mais crítica no país.


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