Dia do Professor: saúde mental é o principal desafio na volta às aulas presenciais Hoje, 15 de outubro, o Brasil comemora o Dia do Professor, mas com números nada bons. Metade dos professores de educação básica do país está desmotivada, sobrecarregada, ansiosa e cansada, isso segundo pesquisa do Instituto Península.

Os dados são um reflexo da pandemia nos educadores, que aguardam pela rotina de reencontros seguros com seus alunos e o fim da necessidade de protocolos contra a covid.

O levantamento “Desafios e Perspectivas da Educação: uma visão dos professores durante a pandemia” ouviu 2.500 docentes e gestores escolares de todas as etapas de ensino da educação básica das redes municipais, estaduais e privada na primeira quinzena de setembro.

Segundo o estudo, 99% dos professores já foram vacinados com ao menos uma dose, e ainda assim os docentes sinalizam que medidas precisam ser tomadas para que se sintam seguros em frequentar a sala de aula, entre elas garantir os protocolos e o distanciamento entre os estudantes. Além das providências estruturais, outra questão que sinalizada pelos professores é a aprendizagem das crianças e dos jovens. Para 57% deles o desafio está em recuperar a aprendizagem dos alunos, impactada com o fechamento das escolas e com os obstáculos do ensino a distância.

Neste momento, o Brasil está voltando plenamente para as salas de aula na maior parte do país no modelo híbrido e nove estados já estão com 100% dos alunos em sala de aula.

A pesquisa também lança luz sobre a principal preocupação dos educadores: a sua própria saúde mental. 57% deles responderam que gostariam de receber apoio psicológico e emocional, principalmente para lidar com as questões impostas pela pandemia. Esse apelo promove a reflexão de que para o professor desempenhar bem sua função e garantir a aprendizagem das crianças e jovens, ele precisa estar bem como um todo.

“É preciso dar atenção ao que os professores estão sinalizando, pois são eles que estão na linha de frente para que a Educação aconteça, seja nas aulas remotas ou presenciais, são eles que conhecem as dificuldades cotidianas. Daí a necessidade de apoiá-los para que o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos sejam recuperados”, afirma Heloisa Morel, diretora executiva do Instituto Península.

Aluno volta mais feliz para a escola, mas desmotivado para os estudos
Apesar de 79% dos professores acreditarem que os estudantes estão felizes em retornar às aulas, 53% sentem que os jovens estão desmotivados para a aprendizagem.

Para mudar esse cenário, na visão dos professores, é preciso criar estratégias que motivem os estudantes. 58% deles sinalizam a importância de pensar no acolhimento dos alunos e promover maior participação da família, assim como 51% destacam as tecnologias para apoiar o uso de diferentes metodologias de ensino de modo que auxiliem no processo de recuperação da aprendizagem.

A pesquisa também destaca que 59% dos professores reconhecem os formatos híbridos de ensino como alternativa para personalizar e potencializar o desenvolvimento dos alunos e também como uma estratégia de inovação. 62% afirmam que o ensino híbrido melhora a autonomia dos estudantes e 58% entendem que é uma ferramenta que estimula a curiosidade.

“Este é um momento que traz a oportunidade do engajamento de todos os atores envolvidos no processo de aprendizagem: Estado, gestores, sociedade e famílias. Diversas Secretarias de Educação pelo Brasil se prepararam para o retorno às aulas presenciais, ofertando materiais pedagógicos e formação continuada para os professores, porém, atenção à saúde mental e mobilização das famílias seguem sendo parte fundamental deste processo”, comenta Heloisa.