Papa chama aborto de assassinato e diz que médicos têm o direito de não fazer procedimento

O Papa Francisco disse aos profissionais de saúde italianos nesta quinta-feira (14) que é correto se opor conscientemente ao aborto, visto que o procedimento é um "assassinato".

"Não é certo ser cúmplice disso", disse ele.

Existem muitos farmacêuticos italianos que são contrários ao aborto e se recusam a vender produtos como a chamada 'pílula do aborto'. Da mesma forma, muitos médicos italianos se recusam a realizar o procedimento.

Foi pelo menos a terceira vez em um mês que o papa se pronunciou veementemente contra o aborto, que se tornou uma questão política importante em vários países.

Na semana passada, um tribunal de apelações dos Estados Unidos restabeleceu temporariamente a lei restritiva do aborto do Texas, que proíbe o procedimento com seis semanas de gravidez e terceiriza a aplicação da proibição para cidadãos comuns.

"Hoje está um pouco na moda pensar que talvez seja bom acabar com a objeção de consciência (no campo médico)", disse ele aos participantes de uma conferência em Roma de farmacêuticos hospitalares.

“Isso (objeção de consciência) nunca deve ser negociado, é da responsabilidade final dos profissionais de saúde”, disse o Papa, acrescentando que era particularmente aplicável ao aborto.

“Saiba que sobre isso sou muito claro: é homicídio e nunca é lícito ser cúmplice”, disse.

A maioria dos países tem leis que preveem alguma forma de objeção de consciência por parte dos profissionais de saúde, mas os ativistas dos direitos ao aborto dizem que nem todos estão cumprindo seu dever de encaminhar uma mulher a outro médico.

Em alguns países escandinavos, os médicos são proibidos de se recusar a fornecer qualquer assistência médica que seja legal.

A Igreja Católica Romana ensina que a vida começa no momento da concepção, assim como as igrejas evangélicas.

Em junho, uma conferência dividida de bispos católicos romanos dos EUA votou para redigir uma declaração sobre a comunhão que pode admoestar políticos católicos, incluindo o presidente dos EUA, Joe Biden. Eles devem abordar o assunto novamente no mês que vem.

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