Estudante de medicina suspeito de abusar das próprias irmãs está foragido Mantido em sigilo desde a semana passada, o pedido de prisão preventiva do estudante de medicina Marcos Vitor Aguiar Dantas pereira, de 22 anos, foi confirmado pela família das vítimas. Ele é acusado de abusar sexualmente de quatro crianças, duas delas são irmãs dele, de 3 e 9 anos.

A Delegacia de Proteção à Criança de Teresina, no Piauí, tentou cumprir o mandado de prisão, mas não encontrou o suspeito nos possíveis endereços indicados no inquérito.

O advogado do estudante, Eduardo Faustino, nega que ele esteja foragido e alega que apenas abriu mão do "direito ao interrogatório". O caso corre em sigilo de justiça.

Criança fala sobre abusos em vídeo
P.C., que é irmã da madrasta de Marcos Vitor, considera que o relato da vítima mais nova do estudante, uma menina de 3 anos, é uma das coisas mais chocantes de toda a história de atrocidades que envolve o caso.

Perguntada sobre o irmão, a menina relata, quase brincando, que ele tocava e beijava partes de seu corpo, “aqui (na pepeca) e aqui”, enumera, apontando para o tórax e para os órgãos genitais.

A menina diz que o rapaz dava beijos no lugar que ela usa para ir ao banheiro. A cena descrita pela tia, P.C., aconteceu na Delegacia de Proteção à Criança de Teresina, no Piauí, onde uma das duas irmãs do rapaz, indiciado por abuso de vulnerável, prestou depoimento.

P.C. acredita que o vídeo em que a menina conta como era tocada pelo próprio irmão é também um “tapa na cara” de quem acha que o ocorrido pode ser invenção da cabeça de crianças. A menina, que parece gostar do “maninho”, é questionada sobre quantas vezes ele beijou as partes do seu corpo.

A criança, então, abre as mãozinhas e começa a contar, mas faltam dedinhos para contar os abusos que ela entendia ser uma brincadeira.

P.C. é mãe da adolescente de 13 anos, prima do estudante, a primeira a denunciá-lo. Isso só aconteceu recentemente.

A adolescente disse ter sido abusada por ele durante anos. Ao menos entre 5 e 10 anos de idade. A menina acredita que a primeira vez foi durante uma viagem da família ao Uruguai.

Desde que tudo começou, a menina se calou, caiu em depressão e se automutilava com frequência. Não há, para a mãe, o que duvidar de um sofrimento que deixou inúmeras marcas no corpo, sobretudo cicatrizes de cortes nos braços. Este ano, a garota tentou se matar.

P.C. é estudante de medicina e formada em direito. Ela teme que Marcos Vitor saia do país. A mãe dele morou 10 anos em Portugal e ele tem visto americano. O caso envolvendo a família de classe média da Zona Oeste de Teresina tem mobilizado a opinião pública. Apesar da grande divulgação, Marcos Vitor ainda se encontra em local desconhecido.

Em mensagens, ele teria atribuído as denúncias de abuso a um “lado obscuro” de sua personalidade. Há dois anos, o rapaz mora em Manaus, onde cursa medicina.