Outubro Rosa: tratamento x vacinação contra Covid-19

Estamos no Outubro Rosa, mês de conscientização do tratamento contra o câncer de mama e prevenção contra a doença, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), entidade referência nacional nos cuidados com a doença, reforça que é primordial que todas as mulheres se vacinem contra a Covid-19, inclusive as diagnosticadas com câncer de mama, pois não há nenhuma contraindicação. 

"Nenhuma mulher deve abdicar da vacinação por medo de que ela possa causar doenças na mama ou afetar seus exames, pois essa possibilidade não existe", afirma o Dr. Vilmar Marques, presidente da SBM. Ele acrescenta que as pacientes compõem o grupo de risco, muitas com a imunidade baixa devido ao tratamento que estão sendo submetidas.


Novo estudo revela que queda passou dos 40% e que índice de mulheres com nódulos palpáveis também aumentou


Desde o início da pandemia, mastologistas e pesquisadores da Sociedade Brasileira de Mastologista acenderam o sinal de alerta sobre o impacto que o isolamento social poderia causar no rastreamento periódico das mulheres bem como no tratamento das pacientes de câncer de mama. Passado um ano e meio, novo estudo da entidade aponta que o número de mamografias realizadas em 2020 foi 42% menor que o ano anterior em todo o território nacional. Dados preliminares, não publicados, apontam que ainda não houve recuperação para os níveis anteriores à pandemia.


De acordo com a Dra. Jordana Bessa, coordenadora do estudo e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia, além de verificar a diferença na realização do exame, o estudo visou também investigar se houve um aumento na proporção de mulheres submetidas a mamografia para fins de diagnósticos, com nódulos palpáveis. Ela explica que, entre as mulheres que se apresentaram para mamografia, a proporção de nódulos palpados foi significativamente maior em 2020. 

"Infelizmente as notícias não são boas. Além da queda na realização das mamografias, exame fundamental para o rastreamento da doença, identificamos um aumento de mulheres com nódulos palpáveis, saindo de 7,0% em 2019 para 7,9% em 2020, algo de extrema preocupação para todos nós", afirma.


Segundo a médica, a queda se acentuou a partir de abril de 2020, primeiro mês de distanciamento social. Todo o país sentiu esse baque, porém Rondônia foi o estado mais afetado, com queda de 67%. 

"No geral o impacto foi bastante acentuado em todo o país", reforça a mastologista.


O estudo teve como base o número de mamografias realizadas pelos serviços públicos de saúde brasileiros, disponibilizados pelo DATASUS, um banco de dados de acesso aberto. O levantamento comparou o número de mamografias realizadas em 2019 e 2020, em mulheres com idade entre 50-69 anos, estratificadas por mês, em cada estado da federação, e pela presença de nódulos palpáveis. Mamografias de instituições privadas não foram incluídas. Em números absolutos, houve cerca de 800.000 exames a menos em 2020. Considerando a taxa de detecção da mamografia digital, isso pode significar cerca de 4 mil casos de câncer de mama não diagnosticados até o final de 2020.


"No geral, a conclusão que podemos chegar é que a pandemia agravou o cenário do rastreamento do câncer de mama no Brasil, que sempre caminhou abaixo do que preconiza a Organização Mundial da Saúde. Isso pode implicar no aumento do diagnóstico em estágios mais avançados", explica a mastologista. Por essas e outras dificuldades, ao contrário de diversos países, o Brasil não consegue reduzir a mortalidade por câncer de mama.