Apesar dos cortes na equipe, Globo amarga prejuízo milionário e renovação de concessão corre risco

Falta pouco menos de 1 ano para a concessão pública da TV Globo vencer. O presidente Jair Bolsonaro tem até o dia 5 de outubro de 2022 para decidir sobre a renovação ou não da autorização de funcionamento do canal da família Marinho.

Há dois anos, o mandatário deixou seu recado em uma live. “O processo tem que estar enxuto, tem que estar legal. Não vai ter jeitinho para vocês nem para ninguém”, avisou.

Para ter a licença renovada, qualquer emissora precisa comprovar situação fiscal regularizada, sustentabilidade econômica e condições de realizar suas operações de transmissão.

Se isso não ocorrer, Bolsonaro pode complicar o processo de renovação, sob a responsabilidade do Ministério das Comunicações, com a recusa de documentos e a solicitação de novas garantias da Globo.

Além da reprovação de Bolsonaro, serão necessários que Dois quintos do Congresso — onde há vários parlamentares donos de emissoras e retransmissoras, inclusive da própria Globo — aprovem em votação que o canal seja tirado do ar.

Ainda que isso aconteça, a empresa que explora a concessão pode recorrer à Justiça. Ela continuaria operando normalmente até que a decisão final fosse tomada no Supremo Tribunal Federal.

Dívidas da Globo
A emissora corre contra o tempo para colocar suas dívidas em dia. No entanto, mesmo com cortes em sua equipe, que afetaram até mesmo grandes nomes da TV brasileira, como o apresentador Fausto Silva.

Segundo o colunista Guilherme Ravache, do UOL, no primeiro semestre de 2021 a Globo fechou suas contas com um prejuízo de R$ 144 milhões. Ele diz que o número representa uma piora de 122% em relação a 2020, quando a empresa teve um prejuízo de R$ 51 milhões no mesmo período.

As mais recentes baixas na emissora foram Tiago Leifert, Lázaro Ramos, Ingrid Guimarães, Vera Fischer, Antônio Fagundes e Reynaldo Gianecchini. O total de cortes gerou uma economia de R$ 281 milhões. Mas o valor não foi suficiente para cobrir o déficit nas contas da emissora, de acordo com Ravache.

"Custos e despesas foram 36% superiores ao primeiro semestre de 2020, impactados pelo retorno de eventos esportivos ao vivo e pela amortização de direitos esportivos de R$ 503 milhões, devido ao grande reescalonamento de jogos que afetou todas as competições do futebol brasileiro no ano de 2021", aponta o relatório da Globo divulgado ao mercado no início de setembro.



 



*Foto: Reprodução / TV Globo