Manifestações e incêndio de grandes proporções ameaçam reeleição de Evo Morales

Bolivianos fizeram uma greve parcial contra a nomeação do presidente Evo Morales para um quarto mandato. O movimento aconteceu ontem (21) com várias manifestações nas principais cidades do país.



O protesto, que se limitou ao fechamento de algumas ruas, se concentrou em bairros residenciais nas cidades de La Paz, Cochabamba e Tarija.



Essa é “uma greve que se fez sentir, com a força necessária”, disse o ativista Waldo Albarracín, diretor do Conselho Nacional de Defesa da Democracia (Conade) e reitor da Universidade Estadual de La Paz.

Por outro lado, segundo a revista ISTOÉ, o governo boliviano classificou a medida como um “fracasso”.



“Acreditamos que a greve foi um fracasso, os relatórios que nos enviaram, as imagens que vimos (…) mostram que tinha um trânsito livre e um desenvolvimento normal”, avaliou o ministro da Comunicação, Manuel Canelas.



No entanto, o presidente pode estar vendo suas chances à reeleição serem literalmente queimadas. A Bolívia sofre com o maior incêndio de sua história recente. Uma área de pelo menos 500 mil hectares já foi consumida pelo fogo. A nuvem de fumaça que sai de Roboré, município do departamento de Santa Cruz, chegou, inclusive, a cidades brasileiras que ficam perto da fronteira boliviana. 



Evo Morales rejeitou o apoio internacional para controlar as chamas, e vem recebendo críticas da oposição.



Os primeiros focos do incêndio foram detectados há 16 dias. O fogo atinge pelo menos dez povoados do município Roboré, no sudeste boliviano, quase na fronteira com o Brasil. A cidade abriga um dos mais emblemáticos parques do país, onde há uma rica fauna e flora. Nas imediações também está a Chiquitanía, como são chamadas as Missões Jesuíticas na Bolívia.



Dados não-oficiais apontam que o fogo devastou uma área equivalente a 500 mil campos de futebol. O clima seco e os ventos fortes típicos desta época do ano podem ter ajudado a espalhar as chamas.