Alerta Pri: Rio ganha primeiro sistema de alerta do país para localizar desaparecidos O Alerta Pri, sistema de envio de mensagem de celular sobre crianças e adolescentes desaparecidos, começará a funcionar em outubro. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado de Polícia Civil, Allan Turnowski, durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Alerj que investiga esses desaparecimentos no estado, na última sexta-feira (24). O mecanismo foi criado pela Lei 9.182/20, de autoria do deputado estadual Alexandre Knoploch (PSL), que preside a CPI.

"A cada reunião avançamos na busca por respostas para as famílias que sofrem com o desaparecimento de crianças e adolescentes no nosso estado. Vamos continuar trabalhando por essa causa", afirmou o Knoploch.

Destinado a divulgar informações que ajudem na localização dos menores, o Alerta Pri é inspirado no Alerta Amber, dos Estados Unidos, e homenageia Priscilla Belfort, desaparecida há 17 anos. A infraestrutura ficará por conta das operadoras de telefonia celular que operam no estado, com apoio da Polícia Civil.

“Fizemos um remanejamento de recursos e investimos na área administrativa, contratando pessoas que possam produzir na área de informática o portal Alerta Pri. É uma realidade que, em breve, vai funcionar e será melhorada aos poucos”, disse Turnowski.

O secretário de Polícia Civil adiantou que pretende implantar uma nova Delegacia de Descoberta de Paradeiros, provavelmente em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Ele também se comprometeu com uma campanha, na delegacias, para registro imediato de desaparecidos, ressaltando que não é necessário esperar 24 horas para comunicar o caso. Hoje, apenas as unidades distritais da Baixada Fluminense contam com cartazes da campanha, conscientizando a população e os policiais sobre a necessidade do registro imediato.

A qualidade do atendimento nas delegacias de Polícia Civil foi o principal foco da audiência pública. Turnowski se comprometeu com os deputados estaduais que integram a CPI a exigir melhor atendimento dos policiais civis aos familiares das vítimas de desaparecimento. O secretário reconheceu que a questão dos desaparecimentos no Estado é um tema muito sensível, não apenas nos casos de crianças e adolescentes, mas de pessoas em geral. “É preciso pensar na dor da família. Apesar de registrarmos o reaparecimento de quase 90% de crianças e adolescentes, é nos 10% que precisamos focar. Nossa meta é solucionar 100% dos casos para tentar evitar a dor de um pai ou de uma mãe”, disse o secretário.

Turnowski ressaltou que o problema passou a ser prioridade a partir do episódio dos três meninos - Lucas Matheus, de 9 anos, Alexandre Silva, de 11, e Fernando Henrique, de 12 - desaparecidos em dezembro de 2020 a caminho de uma feira livre em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Informou ainda que as investigações estão em fase final de conclusão e confirmam que os meninos foram mortos por ação de traficantes de uma facção criminosa que atua no Complexo do Castelar, em Belford Roxo.

O relator da CPI, deputado Danniel Librelon (REP), fez um resumo dos principais problemas detectados nas sete reuniões anteriormente realizadas pela CPI. Entre eles, a necessidade de capacitação para quem atua no atendimento, de maior humanização no trato de pessoas ligadas aos casos, aumento do número de delegacias especializadas e a implantação de um banco de dados único. A vice-presidente, deputada Renata Souza (PSol), lembrou que, em muitos casos, as famílias não sabem como estão as investigações e os próprios familiares atuam recolhendo provas para descobrir o paradeiro dos desaparecidos.

“Essas pessoas precisam contar com a sensibilidade do estado. De que forma estado se prepara para receber uma família que teve um ente desaparecido? E qual é o trabalho para localizar os desaparecidos?”, indagou, lembrando que hoje há apenas uma delegacia especializada nesses registros, com trabalho restrito à capital.

Punições a servidores da Polícia Civil

O subcorregedor-geral de Polícia Civil, Sergio Lomba, disse que o órgão mantém plantão 24 horas por dia para receber denúncias sobre eventual recusa de atendimento, mesmo na madrugada. E colocou o telefone (21) 2332-9733 à disposição dos cidadãos que se sentirem prejudicados, não só em casos de desaparecimento.

Sobre o treinamento dos policiais para lidar com os casos de desaparecimentos, a pedagoga da Academia de Polícia Sylvio Terra (Acadepol), Bianca Acursi, informou que, além das 10 horas/aula sobre o assunto, há outras disciplinas que dialogam com o atendimento, como direitos humanos, ética e cidadania e polícia comunitária.

“Indiretamente esses conteúdos também trabalham e moldam o caráter, influenciando na boa qualidade no atendimento. Há um cruzamento dessas disciplinas e o foco é o cidadão”, disse Bianca.

Respondendo a um questionamento da deputada Renata Souza sobre investimentos do estado na Polícia Civil, Turnowski disse que já foram investidos R$ 20 milhões em compra e instalação de novos equipamentos e reabertura de unidades do Instituto Médico-Legal.



*Alerj

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