Manifestações contra Bolsonaro tiveram baixa adesão, desentendimentos e até apologia ao estupro

O Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua organizaram manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro neste domingo (12) em capitais do Brasil. Mesmo com apoio de outros movimentos e participação de entidades, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), e algumas centrais sindicais, a presença do público ficou muito aquém do esperado para 15 cidades. Se entre o público o cenário era de tranquilidade, entre os líderes dos movimentos houve confusão e até incentivo ao estupro. O fracasso do movimento rendeu memes nas redes sociais. Até imagens da Polícia Militar do Rio de Janeiro foram usadas por internautas para mostrar a baixa adesão ao movimento.

No Rio de Janeiro, a manifestação começou após as 10h, na Praia de Copacabana, na altura do Posto 5. Três caminhões de som ocuparam a Avenida Atlântica, mas apenas dois deles foram usados na comunicação com os poucos manifestantes que se espalharam por duas quadras da pista junto à praia, que aos domingos é fechada para o lazer.

O ato teve o acompanhamento de integrantes da Polícia Militar (PM) e da Guarda Municipal, que se restringiram em ficar posicionados em locais estratégicos, garantindo segurança, sem precisar ser acionados. Pouco depois das 12h30 os manifestantes começaram a se dispersar.

Em poucos minutos, as fotos da manifestação viraram meme nas redes sociais. Até o senador Fernando Collor ironizou o ato.

“Acabei de escutar na rádio ‘...tem mais vendedor ambulante que manifestante, no momento’”, tuitou.

Em Brasília, manifestantes se concentraram na área próxima à Biblioteca Nacional. Outro grupo que já estava presente desde o início da manhã - esse de apoiadores do presidente - circulou no local com carro de som. Não houve, de acordo com a Polícia Militar do Distrito Federal, confronto entre os dois grupos. As manifestações em Brasília terminaram no início da tarde.

O presidente Bolsonaro disse que a manifestação ocorreu sem seu conhecimento. “Alguém sabia desse ato?”, tuitou o mandatário.

Belo Horizonte também registrou protestos. Vestidos de branco, os manifestantes se reuniram na Praça da Liberdade com faixas e cartazes solicitando mais vacinas, cobrando ações mais rigorosas no controle da pandemia e também portando bandeiras de partidos políticos de oposição. Os atos foram dissipados rapidamente.

Em São Paulo, manifestantes se encontraram na região do Museu de Arte de São Paulo (Masp) para participar dos protestos contra o governo federal. O ato, que pedia o impeachment do presidente da República, Jair Bolsonaro, contou com a participação do governador João Dória, que do alto de um carro de som, ensaiou uns passos da dança.

De acordo com a Polícia Militar, a situação também foi de tranquilidade na Avenida Paulista. O policiamento no local conta com dois mil policiais militares, 700 viaturas, 50 cavalos, dez cães, dois helicópteros, seis drones, seis veículos blindados, além do monitoramento remoto com câmeras operacionais da PM. Um número superior ao de manifestantes.

Confusão interna


O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), interviu em um desentendimento entre os seguranças do MBL com os profissionais que fazem sua segurança. Durante o protesto na tarde desse domingo, na Av. Paulista, eles se estranharam e houve empurra-empurra.

Segundo testemunhas, a passagem de Doria para o carro de som do evento foi liberada pela organização com mais oito pessoas, no entanto, a comitiva dele tinha um número maior de integrantes. Ao entrarem no local, a segurança da manifestação barrou os excedentes, e foi quando ocorreu o tumulto.

Apologia ao estupro


Diante do fracasso das manifestações, o presidente do MBL, Renan Santos, fez um discurso incentivando seus apoiadores a estuprarem “Bárbara”, que rapidamente entenderam ser a influenciadora digital Bárbara Destefani, do canal ‘Te Atualizei’, defensora do governo Bolsonaro.

Após o vídeo viralizar, a ministra Damares Alves se pronunciou.

“Estupro não é brincadeira. Já pedi atuação da ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos! Inadimissível isto! Não vamos permitir que estes jovens, que se dizem tão politizados, façam uma ‘brincadeira’ desta. Vamos ao MP (Ministério Público) para pedir investigação sobre autenticidade do vídeo”, declarou Damares.

No entanto, uma outra Bárbara (Tonelli) disse se tratar de um “mal-entendido” e que a mulher citada por Renan era ela.

“A Bárbara do vídeo sou eu. E foi piada interna minha e do Renan. Conheço o Rena há mais de 6 anos. Inclusive não tive problemas com ele sobre isso. Só vocês que não têm o que fazer”, tuitou a mulher.

Um seguidor rapidamente soltou uma invertida. “Apologia ao estupro não é piada. Principalmente quando promovida pelo presidente de um grupo”.