Maracanã, Arcos da Lapa e prédios públicos são iluminados durante a Campanha Setembro Amarelo Nesta sexta-feira (10), Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, diversas ações têm sido realizadas em todo o mundo com o objetivo de chamar à atenção para a importância de cuidar da saúde mental da população, especialmente jovens e adolescentes, os mais impactados durante a pandemia.

Os tons de amarelo da defesa pela vida cobrem alguns dos maiores símbolos da cidade do Rio de Janeiro, como Arcos da Lapa, Maracanã, Palácio Guanabara, Câmara Municipal, Monumento Estácio de Sá e Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia. Todos estão iluminados para enfatizar a importância da conscientização sobre cuidados com a saúde mental, especialmente entre os mais vulneráveis.

Os jovens e adolescentes estão passando a pandemia de forma mais complexa que as outras faixas etárias. Na época de formar a personalidade e criar experiências para a maturidade, eles viram o momento de conquista da liberdade ser impedido por causa do risco de contágio da Covid-19.

Se para a sociedade como um todo aprender a viver mais isolado é difícil, para esses jovens e adolescentes é uma missão ainda mais desafiadora, reconhecem os especialistas.

Para embasar as políticas públicas de saúde e alertar a sociedade, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro fez um levantamento sobre cada geração para analisar como os fluminenses estão sendo impactados nesta época de pandemia.

No biênio 2019 e 2020, a maior vulnerabilidade está nas faixas etárias de 20 a 39 anos e 15 a 19 anos, respectivamente. Os primeiros figuram em 45% das notificações de violência autoprovocada, enquanto os segundos são responsáveis por 22% delas.

“No levantamento notamos também que, no estado do Rio de Janeiro, a taxa de mortalidade tem aumentado gradativamente. Os homens são os que mais sofrem, com taxa de morte três vezes superior às mulheres. Elas, por sua vez, são as que mais sofrem por violência autoprovocada, chegando a 72,4% do total dos casos registrados na rede pública em 2020. E o número desses registros dos casos autoprovocados tem aumentado bastante nos últimos anos. Outro fenômeno que percebemos é o crescimento mais forte dos registros de violência em geral para o sexo feminino, tanto suicídios, quanto notificações de violência autoprovocada”, explica a coordenadora de Vigilância e Promoção da Saúde, da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Eralda Ferreira.

A realidade brasileira precisa de ainda mais atenção porque, enquanto no mundo houve redução de 36% na taxa global de mortalidade por suicídio nos últimos 20 anos, nas Américas, o movimento foi o inverso e registrou crescimento de 17% na taxa de mortalidade por suicídio no mesmo período. No Brasil, esta ampliação também foi verificada, e o último levantamento realizado mostrou que, nos últimos dez anos, houve aumento no número de mortes por cada 100 mil habitantes, passando de 4,95, em 2009, para 6,42, em 2019, um crescimento de 30%.

Secretaria promove fórum para prevenção de suicídio em jovens e adolescentes em seu canal no YouTube

Para ampliar a discussão e apresentar também quais cuidados se deve ter para acolher os adolescentes e os jovens e ampliar a escuta para eles, a Secretaria de Estado de Saúde promoveu, pelo seu canal no YouTube, o Fórum de Atenção Psicossocial Prevenção do suicídio em jovens e adolescentes. Participaram do seminário, Eralda Ferreira, Michael Vida, enfermeiro e diretor do CAPSi III Maria Clara Machado, no município do Rio de Janeiro, e Rossano Cabral, psiquiatra, professor e vice-diretor do Instituto de Medicina Social da UERJ.

“Com base nas análises e também no retorno dos nossos atendimentos, neste ano, a Secretaria de Estado de Saúde elegeu os jovens e adolescentes como o principal foco de atenção para a divulgação do Setembro Amarelo, que é a data escolhida para tratar da questão do suicídio e da violência autoprovocada na população. É importante estarmos atentos aos sinais e ter sempre o acolhimento como regra fundamental, principalmente agora, que a desesperança decorrente da crise pandêmica é um dos sentimentos mais presentes. Além disso, estamos também focando na construção do sofrimento que está passando a pessoa e a sua relação com o coletivo”, aconselha a superintendente de Atenção Psicossocial e Populações Vulneráveis da SES-RJ, Karen Athié.

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