Médico preso em clínica de aborto no Rio já havia praticado mais de 200 procedimentos em Manaus

Policiais civis da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima fecharam nessa quinta-feira (02) uma clínica de aborto que funcionava na Freguesia, na Zona Oeste do Rio. No local, os agentes prenderam em flagrante o médico Antônio Cabedes Lopes, e a mulher dele, Maristela Lopes, pelos crimes de aborto, crimes contra a saúde pública e relações de consumo, além de furto de energia elétrica.

Os agentes chegaram até o local após após denúncias de que adolescentes estariam fazendo aborto em um estabelecimento dentro de um condomínio de classe média alta na Freguesia. Segundo os policiais, o médico cobrava em média R$ 5 mil por cada procedimento. A mulher atuava como “instrumentadora” e também atraia as pacientes.

O local não tinha as mínimas condições de higiene, e boa parte dos remédios usados estavam vencidos há mais de 4 anos.

Segundo os agentes, o médico e a mulher já foram investigados pela polícia de Manaus pela prática de mais de 200 abortos na capital amazonense. Eles chegaram a ser presos em 2019 na Operação Nascituro

Durante a ação, uma paciente, de 36 anos, que havia passado pelo procedimento, foi encontrada no local e encaminhada para um hospital. Ela foi medicada e liberada pela equipe médica. A mulher poderá responder pelo crime de aborto ilegal.

No Brasil, o aborto induzido é crime, com penas previstas de 1 a 3 anos de detenção para a gestante, e de um a quatro anos de reclusão para o médico ou qualquer outra pessoa que realize em outra pessoa o procedimento de retirada do feto.

Anualmente, o Ministério da Saúde estima que sejam realizados cerca de um milhão de abortos induzidos clandestinos no Brasil. A cada ano, de acordo ainda com o ministério, cerca de 250 mil mulheres são hospitalizadas por ano em função de complicações resultantes desses procedimentos. Cinco mil dessas internações anuais são consideradas como de alta gravidade. Cerca de 2 mil mulheres morreram entre 2008 e 2018 lidando com complicações.

O aborto é permitido no Brasil apenas em três casos: gravidez de risco à vida da gestante; gravidez resultante de violência sexual; e anencefalia fetal – conforme o Supremo Tribunal Federal decidiu em 2012.