Esquema de pirâmide financeira transforma Cabo Frio em Novo Egito Empresas de investimento no município de Cabo Frio, na Região dos Lagos, estão na mira das polícias Civil e Federal. A cidade se tornou foco de investigadores após dez empresas serem alvo de denúncias por terem gerado prejuízos aos clientes, a partir do esquema de pirâmide financeira.Por conta disso, Cabo Frio ganhou até o apelido de Novo Egito.

A fama ficou mais evidente após a polícia começar a investigar não só os prejuízos causados pelas empresas, mas também atentados. No dia 4 de agosto, Wesley Pessano, de 19 anos, foi morto a tiros dentro de um carro em São Pedro da Aldeia, cidade vizinha a Cabo Frio.

A Polícia Civil acredita que o crime tenha relação com a disputa por clientes entre as empresas de investimento. Wesley investia em criptomoedas e morava há um ano em Cabo Frio.

Segundo a polícia, muitas das vítimas têm baixa renda e procuravam as empresas para conseguir dinheiro e realizar compras como carro e casa.

Faraó dos bitcoins

Outra empresa que é um dos principais alvos dos agentes é a G.A.S Consultoria Bitcoin. No dia 25 de agosto, a Polícia Federal prendeu Glaidson Acácio dos Santos (foto), que ficou conhecido como o "faraó dos bitcoins".

A esposa dele, a venezuelana Mirelis Zerpa, é procurada pela Interpol. A PF informou que ela é suspeita de chefiar junto com o marido um esquema de "pirâmide financeira" em Cabo Frio.

A operação teve o objetivo de desarticular uma organização que fraudava valores bilionários envolvendo criptomoedas. Nos últimos seis anos, a movimentação financeira de quatro empresas de Glaidson apresentou cifras bilionárias —cerca de 50% dessa movimentação ocorreu nos últimos 12 meses, segundo a PF.

A G.A.S Consultoria prometia lucros de 10% ao mês nos investimentos em bitcoins. Somente nesta ação foram apreendidos 591 bitcoins, ou seja, cerca de R$ 150 milhões. Valores em espécie (R$ 13,8 milhões) foram encontrados em malas na casa de Glaidson na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

De acordo com as investigações, até 2014, Glaidson era garçom e recebia pouco mais de R$ 800. Sete anos depois, ele se tornou milionário.