Multimedalhista Daniel Dias se despede das piscinas:

Maior medalhista paralímpico da história do Brasil, o paulista Daniel Dias disputou a sua última prova na carreira de atleta e terminou em quarto lugar nesta quarta-feira (1) na competição de 50 metros livres da classe S5 (deficiência físico-motora) na Paralimpíada de Tóquio (Japão). Em janeiro deste ano, o nadador brasileiro anunciou que se aposentaria após Tóquio 2020. O multimedalhista soma em sua carreira 27 medalhas, sendo 14 ouros, sete pratas e seis bronzes.

Na prova de hoje (31) no Centro Aquático de Tóquio, o competidor brasileiro bateu a marca de 32s12. O paulista ficou atrás de três chineses: Zheng Tao (30s31) levou o ouro, Yuan Weiyi (31s11) a prata, e Wang Lichao (31s35) terminou com o bronze no peito.

Em Tóquio 2020, Daniel disputou seis provas e conquistou três medalhas de bronze: nos 200 metros livre (S5), nos 100 metros livre (S5) e no revezamento 4x50 metros livre 20 pontos (deficiência físico-motora). Em outras duas provas, nos 50 metros borboleta (S5) e nos 50 metros costas (S5), o multimedalhista ficou fora pódio terminando na sexta e quinta posição, respectivamente.

Nesta edição dos Jogos, o atleta foi afetado por uma reclassificação geral promovida pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) em 2019. Vários atletas de outras classes passaram a S5, a mesma de Daniel, embora muitos tivessem deficiências menos severas que as do brasileiro. 

Natural de Campinas (SP), Daniel Dias tem má-formação congênita nos membros superiores e na perna direita. O atleta começou a competir em 2006 por influência do nadador paralímpico Clodoaldo Silva, após vê-lo na televisão disputando os Jogos de Atenas 2004 (Grécia).

Testemunho

Daniel Dias é membro da organização Atletas de Cristo e seu testemunho já inspirou milhares de pessoas em todo o mundo. Com Deus, ele transformou o que parecia ser uma grande luta em glórias ao Senhor. Daniel é casado com Raquel Andrade, com quem teve três filhos, os pequenos Daniel, Asaph e Hadassa testemunhos vivos de suas grandes vitórias também fora das piscinas. Confira: 

Quando nasci, minha mãe foi comunicada que eu era um garoto e que não tinha os pés e nem as mãos. Ela chorou muito e pediu forças a Deus. Ela disse que me pegou no colo e, ao me fazer carinho, eu sorri. Meus pais cuidaram de mim e me deram amor. 

Em março de 1991, fui operado para poder usar prótese. Foram momentos de muita dor para meus pais, mas eles persistiram, eu me recuperei e, aos 3 anos, comecei a usar uma prótese. Na AACD, em São Paulo, aprendi a andar e a usar as próteses. Estudei, comecei a tocar bateria e a me envolver cada vez mais com a igreja. 


Em nossa vida temos muito que agradecer. Primeiramente a Deus, mas também a várias pessoas que foram colocadas em nosso caminho, que nos ajudaram e nos deram forças: os familiares, os amigos e os irmãos da igreja. Eu agradeço à minha mãe e ao meu pai, assim como a todas as pessoas que, de alguma forma, cooperaram para eu chegar até aqui.


Agradeço, também, por ter sido criado nos caminhos do Senhor. Hoje, posso dizer: até aqui nos ajudou o Senhor! 


Gostaria que cada pessoa tivesse a mesma oportunidade que eu tive, mas se você não foi criado em um lar cristão, pode aceitar agora a salvação que Jesus Cristo conquistou na cruz do Calvário pra cada um de nós.


Vida após aposentadoria

Mesmo fora das competições, Daniel quer continuar contribuindo com o esporte paralímpico. Ele se tornará o novo membro da Academia Laureus, formada por grandes nomes do esporte. Eles atuam na promoção de ações junto a jovens e votam na eleição dos melhores do ano no prêmio Laureus.

Daniel ainda é membro da Assembleia Geral do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e compõe a Comissão Nacional de Atletas no biênio 2020-2022. Ele quer ir mais longe, o paulista concorre a uma vaga no Conselho de Atletas do Comitê Paralímpico Internacional. A eleição acontecerá até o final de Tóquio 2020.

Além disso, o brasileiro vai manter o Instituto Daniel Dias, inaugurado em 2014. A entidade oferece treinamentos de natação paralímpica para pessoas com deficiência na cidade de Bragança Paulista, em São Paulo.





(Foto: Ale Cabral/CPB)


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