Autoridades chinesas oferecem dinheiro para cidadãos espiarem “atividades religiosas ilegais”

Um novo sistema de recompensa está sendo usado na China como uma forma de reprimir os cristãos que se envolvem em "atividades religiosas ilegais". No início deste mês de agosto, um distrito da província de Heilongjiang divulgou que estaria oferecendo a informantes até 1 mil yuans, cerca de R$ 800, por informações sobre as atividades.

A medida visa "fortalecer o controle das atividades religiosas ilegais no distrito, prevenir surtos de Covid-19 resultantes de reuniões religiosas, mobilizar o público para se engajar na prevenção, suprimindo atividades religiosas ilegais, e garantir um cenário religioso harmonioso e estável", dizia o anúncio.

As ofensas passíveis de denúncia incluem pessoal religioso não qualificado pelas autoridades, atividades não autorizadas, pregação e distribuição de obras religiosas impressas, produtos audiovisuais fora dos locais de culto, doações não autorizadas e reuniões em residências.

Segundo o International Christian Concern, órgão que acompanha a perseguição a cristãos pelo mundo, “embora eles não especifiquem a religião que têm como alvo, é evidente que as igrejas [cristãs] domésticas estão sendo suprimidas.”

Este é apenas o último passo dado pelo Partido Comunista Chinês em um esforço para assegurar que todos os seus cidadãos cumpram os decretos e crenças do governo. Antes, pastores já haviam sido obrigados a incluir trechos dos discursos do presidente Xi Jinping em seus sermões.

O governo chinês também continua a tomar medidas para remover os materiais religiosos das mãos dos cristãos, enquanto o regime comunista se esforça para eliminar a comunidade religiosa. Além do bloqueio de contas de religiosos nas redes sociais, o país vem banindo também aplicativos da Bíblia no território.

Segundo a fundação Open Doors, que também atua na vigilância à perseguição a cristãos pelo mundo, a China está entre os 20 países onde isso mais ocorre.