Cristãos no Afeganistão estão escondidos enquanto aguardam por socorro Com a tomada do Afeganistão pelo Talibã, governos em todo o mundo estão fazendo planos emergenciais para resgatar o maior número possível de afegãos em risco. A Alemanha, que prometeu evacuar até 10.000, e o Reino Unido estão atualmente em coordenação com parceiros da sociedade civil para determinar quem mais precisa de resgate e como eles podem ser localizados e evacuados. 

A Índia anunciou na semana passada que priorizará a evacuação de hindus e sikhs, duas minorias religiosas que já se aproximaram da extinção no Afeganistão devido ao regime brutal do Talibã há 20 anos. 

O Canadá manifestou a vontade de conceder vistos a minorias religiosas cujas vidas estão supostamente ameaçadas de extinção sob o regime extremista. Entre as minorias mais vulneráveis ​​do país estão os cristãos. Mas a comunidade cristã está se tornando cada vez mais difícil de rastrear. E crescem os temores de que, para muitos, seja tarde demais e não haja saída. 

Estima-se que o Afeganistão ainda tenha cerca de 10.000 a 12.000 cristãos. A grande maioria são convertidos do islamismo ao cristianismo. Durante décadas, eles praticaram amplamente sua fé no subsolo, já que a conversão é considerada um crime punível com a morte, de acordo com a Sharia, conjunto de leis do islamismo.  

No entanto, desde a queda do Talibã em 2001, a comunidade cristã não só tem crescido, mas também se fortalecido, em parte por causa do mínimo de segurança oferecido pela presença dos EUA no local. Em 2019, conforme o número de filhos nascidos de convertidos crescia, dezenas de cristãos afegãos decidiram incluir sua afiliação religiosa em suas carteiras de identidade nacionais para que as gerações futuras não tivessem que esconder sua fé. Apenas cerca de 30 cristãos fizeram essa mudança com sucesso antes da ascensão do Talibã na semana passada. 

Agora, a altamente criticada retirada dos Estados Unidos deixou os cristãos afegãos sem escolha a não ser se juntar aos que cooperaram com os governos dos EUA e do Afeganistão na tentativa de se esconder, como alerta Kelsey Zorzi é presidente do Comitê de ONGs sobre Liberdade de Religião ou Crença da ONU e diretor de defesa da liberdade religiosa global para a ADF Internacional. 

“Sem nenhum plano claro dos Estados Unidos para evacuar afegãos sob ameaça, sem mencionar os milhares restantes de cidadãos americanos, cristãos afegãos e muitos outros grupos religiosos minoritários estão presos. Eles sabem que o Talibã os procura. Cristãos escondidos já relataram ter recebido cartas ou telefonemas ameaçadores”, revela.