A era da  (des) informação Uma das mais notórias características da atual era é, sem dúvidas, a ampliação da capacidade de armazenamento e memorização de informações, dados e formas de conhecimentos. Além do fato, inimaginável para as gerações passadas de pessoas do mundo inteiro estarem interligadas, compartilhando informações, divulgando impressões e difundindo formas de cultura e saberes. Uma era sem precedentes no acesso às informações, democratizando o que antes era quase um monopólio da denominada grande imprensa.

A Era Digital, ou da Informação, é um termo frequente quando tentamos caracterizar este tempo. Serve também para designar os avanços tecnológicos advindos da denominada Terceira Revolução Industrial e que se concretizou na difusão de um ciberespaço, um meio de comunicação instrumentalizado pela informática e pela internet.

Contudo, desafios hercúleos surgem para a sociedade, incluindo por óbvio a Igreja Evangélica no Brasil. Afinal, cada vez mais são compartilhadas e consumidas avidamente na internet notícias falsas, as famosas fake news. A divulgação de histórias inverídicas pode ter consequências reais, como causar prejuízos financeiros, constrangimentos, injúria e difamação de pessoas, empresas e organizações.

Neste tempo no qual todos nós podemos produzir e receber informações, nos deparamos com o dilema de que se por um lado essa possibilidade democratiza a comunicação, por outro facilita a divulgação de conteúdo feito sem responsabilidade. Vale ressaltar que a expressão “pós-verdade” foi eleita pela Universidade de Oxford como a palavra do ano em 2016. Ela diz respeito a circunstâncias nas quais fatos objetivos e reais têm menos importância do que crenças pessoais, ou seja, a versão do fato. Não é preciso enumerar os elevadíssimos riscos que toda a sociedade corre, quando o fato é substituído pela versão mais divulgada, transformando em realidade o deplorável ditado: "Uma mentira contada muitas vezes se torna verdade".

Acrecente-se à questão das informações reproduzidas e compartilhadas sem nenhuma verificação da sua real procedência, o fato de que estamos nos restringindo a ler, ouvir, ver aquilo que corrobora com as nossas já firmadas opiniões, impedindo desta forma qualquer possibilidade de reflexão, uma vez que rejeitamos todo e qualquer argumento que contradiga as nossas convicções e a existência da informação “zumbi”. Ou seja, a informação que não deixa de circular nas redes sociais, mesmo quando é comprovadamente falsa.

“No final de janeiro, uma equipe de pesquisadores da Índia publicou um artigo que dizia que o novo coronavírus tinha sido feito dentro do laboratório. Posteriormente, os próprios autores falaram que o artigo estava problemático e que eles estavam errados, porém o artigo continuou sendo discutido nas redes sociais. Não é um caso de desinformação comum. Não é boato. É algo que veio da comunidade científica. Causa problemas porque leva enganos à população. A informação não morre mesmo sendo falsa. Por isso, ela é um zumbi”, avalia Cailin O'Connor, autora de “A Era da Desinformação”.

O estudioso francês Kapferer define boato como “uma proposição ligada aos acontecimentos diários, destinada a ser aumentada, transmitida de pessoa a pessoa, habitualmente através da técnica do ouvir dizer, sem que existam testemunhos concretos capazes de indicar exatidão”. Mas por que tantas pessoas acreditam em boatos, mesmo aqueles mais irracionais e absurdos? Os psicólogos norte-americanos Allport e Postman afirmam que inúmeras necessidades psicológicas podem gerar a propagação de uma mentira. O desejo obstinado de se acreditar nele, nossos medos, esperanças, curiosidades, inseguranças, tensões, ideologias, e preconceitos.

Surge portanto de forma imperiosa a necessidade da educação digital, ou seja o aprendizado de novas habilidades que nos auxiliem a ler esse mundo conectado. Destaco, pelo menos, quatro tópicos: a leitura crítica, o exame atento da procedência e veracidade das informações, a responsabilidade e compreensão de que quando compartilhamos uma mentira, somos agentes da mesma e por fim o entendimento de que como povo de Deus precisamos primar por uma conduta ética e cristã, onde prevaleça o primado da verdade, para que nossas vidas sejam instrumentos da informação e não da desinformação, afinal todos nós sabemos quem é o pai da mentira.

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