MPRJ denuncia líder religiosa por incitar preconceito e discriminação em igreja de Nova Friburgo O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Nova Friburgo, denunciou, nesta sexta-feira (20), Karla Cordeiro dos Santos Tedim, por praticar, induzir e incitar o preconceito e a discriminação contra as pessoas de cor preta e aquelas pertencentes à comunidade LGBTQIA+ (artigo 20 da Lei nº. 7.716/89). A Promotoria de Justiça deixou de propor acordo de não persecução penal - instituto de caráter pré-processual, negociável entre acusado e representante do Ministério Público, e sujeito à homologação judicial - por entender que a denunciada praticou crime violador da dignidade da pessoa humana, princípio fundamental da Constituição da República.

No dia 31 de julho, durante a transmissão de uma live na Igreja Sara Nossa Terra, em Nova Friburgo, Karla criticou fiéis que defendem causas políticas, raciais e LGBTQIA+. “É um absurdo pessoas cristãs levantando bandeiras políticas, bandeiras de pessoas pretas, bandeiras de LGBTQIA+, sei lá quantos símbolos tem isso aí. É uma vergonha. Desculpa falar, mas chega de mentiras, eu não vou viver mais de mentiras. É uma vergonha. A nossa bandeira é Jeová Nissi, é Jesus Cristo. Ele é a nossa bandeira. Para de querer ficar postando coisa de gente preta, de gay. Para. Posta a palavra de Deus que transforma vidas. Vira crente, se transforma, se converta”, disse Karla.

No início de agosto, Karla disse que foi infeliz em suas palavras.

"Eu sou a Karla Cordeiro e venho, através desta nota, pedir desculpas pelos termos que usei em minha palestra proferida no último sábado", escreveu. "Eu, na verdade fui infeliz, nas escolhas e quero afirmar que não possuo nenhum tipo de preconceito contra pessoas de outras raças, inclusive meu próprio pastor é negro, e nem contra pessoas com orientações sexuais diferentes da minha, pois sou próxima de várias pessoas que fazem parte do movimento LGBTQIA+", disse em redes sociais.

De acordo com a denúncia, “a pretexto de enaltecer sua 'bandeira', a denunciada induziu e incitou menosprezo pelas pessoas de cor preta e por aquelas integrantes da comunidade LGBTQIA+, praticando discriminação e preconceito contra aquelas e suas causas ao enfatizar a 'vergonha' que tais 'bandeiras' importariam se fizessem parte das manifestações sociais dos seus ouvintes. "Karla agiu com menoscabo e preconceito contra lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, queers, intersexuais, assexuais, não binários e pessoas com orientação sexual e identidade de gênero diversas, ao zombar da sigla representativa da comunidade que os agrega”, diz o documento.

A Promotoria de Justiça ressalta, ainda, que a prática criminosa se deu através de discurso endereçado a jovens, destilando intolerância a pautas sociais de inclusão e cidadania com alcance presencial e remoto, potencializando o alcance da mensagem e, assim, o desvalor do resultado e as consequências do delito.

Pastor faz ataques
O pastor da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo, no Rio de Janeiro, Tupirani da Hora Lores, o mesmo que foi condenado em 2012 por pregar contra os judeus, fez um ataque cheio de palavrões contra à pastora Karla Cordeiro.

A fala de Tupirani ocorreu após Karla se desculpar por ataques contra o movimento negro e LGBTQIA+. Se dirigindo à ela, o pastor bradou: “minha querida, não suba mais nesse palanque de prostitutas para tentar pregar, você não foi chamada pra isso. Eu fui chamado”. Tupirani disse ainda que “se vocês pedem desculpas do que falam dentro da igreja pra um b**** de um delegado, um b**** mundano, espírita, vagabundo, seja de qualquer outra religião, vocês são loucos. Sabe o que é, Karla Cordeiro? Você é uma p***. Você é uma prostituta, o teu pastor deve ser um v****, a tua igreja toda é uma igreja de prostitutas”.