Imagem de jornalista de burca viraliza e mostra a repressão do Talibã contra mulheres A imagem da jornalista inglesa Clarissa Ward, correspondente da emissora CNN no Afeganistão, usando um hijab nesta segunda-feira (16) em reportagem transmitida de Cabul, capital do país, viralizou nas redes sociais. A foto resume um pouco da repressão do sistema Talibã sobre as mulheres. Clarissa, que antes usava véu para andar pelas ruas da cidade, mas sem cobrir totalmente o cabelo e sem a abbaya, manto que cobre o corpo, aparece agora quase totalmente coberta um dia após a tomada do poder no país pelo grupo extremista. Em locais fechados, ela costumava não usar nenhum véu. 

O hijab é uma vestimenta islâmica que cobre as orelhas, pescoço e o cabelo da mulher. Durante sua transmissão, Clarissa conta como as mudanças estão ocorrendo de forma acelerada. “Esta é uma visão que honestamente pensei que nunca veria”, afirmou.

Uma das principais mudanças é a ausência de mulheres nas ruas, de acordo com a jornalista.

"Eu vi algumas mulheres, mas devo dizer, vi muito menos mulheres do que normalmente veria andando pelas ruas de Cabul. E as mulheres que você vê andando pelas ruas tendem a se vestir de forma mais conservadora do que quando caminhavam pelas ruas de Cabul ontem. Eu vi mais burcas hoje do que antes. Obviamente, estou vestida de uma maneira muito diferente de como normalmente me vestiria para andar pelas ruas de Cabul", relata.

Em suas redes sociais, Clarissa compartilhou uma imagem ao lado de homens armados que são membros do Talibã. Na legenda, ela escreveu: "Nas ruas de Cabul hoje - sinto que estamos testemunhando a história".

A repórter afirma que está “observando a situação de perto”, mas muitos jornalistas já deixaram o país por conta do histórico de repressão à imprensa do Talibã, incluindo o assassinato de profissionais. O radialista sueco Nils Horner, a repórter canadense Michelle Lang e dois fotógrafos vencedores do prêmio Pulitzer, a alemã Anja Niedringhaus e o indiano Danish Siddiqui estão entre as vítimas.

Solidariedade mundial
Ao publicar um vídeo de uma afegã que lamenta o abandono de seu país, a cantora Fernanda Brum fez um desabafo em seu Instagram:
"Querida, você não está só! Estamos aqui no Brasil chorando e clamando por vocês. Que dor, que tristeza tudo isso. O Senhor pelejará! O Deus poderoso se levantará! Eu creio! Que chegue rápido o socorro, a saída e a salvação! Que os poderosos se dobrem e tenham misericórdia! Os que têm poder na caneta e voz, não deem as costas, não se acovardem."

A cantoria fez ainda um apelo. "Convoco a todos para dobrarem seus joelhos em clamor e quebrantamento. Que o Senhor guarde as crianças inocentes, as viúvas, as mães desesperadas guardando seus filhos, os pais de família, os jovens cheios de sonhos, os missionários em campo. Como mãe, esposa, como mulher que tem voz, eu me derramo. Senhor, salva o Afeganistão e livra o povo".