Justiça decide que Jesus e pomba não são símbolos exclusivos da Universal A Justiça de São Paulo negou pedido feito pela Igreja Universal do Reino de Deus para proibir uma outra organização religiosa de utilizar nome, marcas e símbolos semelhantes aos seus.

A Universal disse à Justiça que a Igreja das Nações do Reino de Deus, criada em maio do ano passado por um ex-pastor da denominação, tenta confundir os fiéis com o objetivo de obter "vantagens econômicas indevidas" por meio de doações.

Além do nome "Reino de Deus", a Igreja das Nações utiliza, da mesma forma que a Universal, uma pomba como símbolo, assim como a expressão "Jesus Cristo" no logotipo das fachadas e altares dos templos.

A Universal citou que a pomba da Igreja das Nações é "praticamente idêntica" à sua, diferindo apenas na direção do voo e no fato de que uma está inserida num coração, enquanto a outra está dentro de uma cruz. As marcas da Universal são registradas no Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).

A Igreja das Nações do Reino de Deus foi criada por Romualdo Panceiro, que atuou na Universal por mais de 30 anos e chegou a ser um dos seus principais ministros, tendo sido, inclusive, cogitado para comandar a entidade. Em 2018, o bispo Edir Macedo e Romualdo romperam.

A Igreja das Nações, na defesa apresentada à Justiça, afirmou que Romualdo Panceiro "nunca teve a intenção de ludibriar as pessoas, mas, sim, de propagar a palavra de Deus". Disse que "Reino de Deus" é um termo bíblico e que a Universal não pode se apropriar de algo "que é tão importante aos cristãos". Não pode haver "monopólio", declarou.

No processo, citou um trecho da Bíblia. "Batizado, Jesus subiu imediatamente da água e logo os céus se abriram e ele viu o Espírito de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele.".

O juiz Luis Felipe Ferrari Bedendi aceitou os argumentos da Igreja das Nações. Ele disse que não houve reprodução ou imitação integral das marcas da Universal e que os termos utilizados são comuns ao segmento religioso, citando as palavras "Igreja" e "Deus".

A Universal ainda pode recorrer da decisão.