Culto Pet pode ser bênção?

O anúncio sobre um “Culto Pet” fez a Igreja Bola de Neve em Santos virar motivo de chacota para muitos irmãos em Cristo, que não conseguiram enxergar que por detrás de cada animal de estimação pode haver uma alma que necessita conhecer o Filho de Deus. Assim como há igrejas que fazem “Festa na Roça”, “Impacto de Carnaval”, “Concerto Musical”, esta igreja decidiu inovar com uma estratégia de comunhão e evangelismo. E também promoverá o lançamento da ONG de proteção ao animal "Amigos do Tobias".



É grande o número de pessoas que têm em um pet o seu melhor amigo. São homens e mulheres que vivem sozinhos, porque decidiram ser assim ou porque as circunstâncias as levaram à solidão. Elas depositaram todo o seu amor em um animalzinho. Por que não usar este amor para aproximar estas pessoas do verdadeiro amigo? Por que não permitir que elas conheçam irmãos em Cristo através da única coisa que hoje têm em comum, que é o bichinho de estimação?



Uma recente pesquisa da CIGNA com mais de 20 mil norte-americanos descobriu que 46% deles se sentem sozinhos às vezes ou sempre; 47% apresentam um sentimento de não pertencimento; 27% raramente ou nunca têm a sensação de poder contar com pessoas que os entendam; 43% alegam que seus relacionamentos não são significativos; e 43% têm a impressão de estarem isolados das outras pessoas.



Segundo o site da U.S. Health Resources and Services Administration, “dois em cada cinco norte-americanos relatam que ocasionalmente sentem que suas relações sociais não são significativas, e um em cada cinco afirma se sentir solitário ou socialmente isolado”. Com base no censo dos Estados Unidos, mais de um quarto dos adultos vive sozinho atualmente. O quadro de solidão pode ser ainda pior aqui no Brasil.



Estudos dizem que os animais de estimação ajudam a combater a solidão. Afinal de contas, a menos que eles violem seus toques de recolher e fiquem fora de casa durante toda a noite, podem fornecer companhia estável. Eles também podem exibir uma série de comportamentos semelhantes aos humanos. Um cão, por exemplo, pode demonstrar gratidão e afeição ao pular em seus braços. E o mais interessante, eles não ficam no smartphone enquanto você está com ele. Por isso, muitas pessoas se afastam das outras para ficar com seus pets. Por que não trazê-los para a igreja?



"Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns". (1 Coríntios 9.22)



Se este propósito será alcançado pelo “Culto Pet” marcado para o próximo dia 24 ainda não sabemos. Mas antes de criticar a estratégia de uma igreja, expondo outro irmão em Cristo ao ridículo, seria mais edificante orar por essa igreja. Pedir a Deus para que esta seja uma boa intenção, voltada para o seu Reino, e não simplesmente um evento social. E também pedir discernimento ao Pai para entender e ajudar o próximo.



Igrejas não podem ser concorrentes. Somos um corpo e cada membro tem uma função dentro deste corpo. Há ministérios de discipulado, de evangelismo em presídios, de evangelismo em hospitais, de prevenção ao suicídio... Por que não pode haver um ministério para alcançar donos de pets ou promover a comunhão entre os que já foram alcançados?



Vivemos em um mundo cada vez mais segmentado. E quem não abrir sua mente às possibilidades de comunicação com todos os segmentos que há em nossa sociedade, certamente não alcançará o objetivo da missão que é: “Ide e pregai o Evangelho”, também aos donos de pets.