Força de vontade: skatista cego prova que nada é impossível

O skate acabou de estrear como esporte olímpico nos Jogos de Tóquio, e já parece ter caído nas graças do público brasileiro. Com três medalhas de prata conquistadas por nossos atletas (Rayssa Leal e Kelvin Hoefler no street¸e Pedro Barros no park), começam a surgir histórias de superação também dos praticantes amadores. É o caso do americano Dan Mancina, skatista cego.

A falta de visão não impediu que Dan, agora com 34 anos, fosse atrás de provar que podia fazer qualquer coisa. Skatista desde os 7 anos, aos 13 ele foi diagnosticado com retinite pigmentosa, uma degeneração rara da retina, tendo ficado completamente cego aos 29. Frustrado com o comportamento das outras pessoas, que o encaravam com pena, ele queria mudar essa realidade:

“Eu ainda sou a mesma pessoa que eu era quando enxergava, mas, porque eu ando com uma bengala, as pessoas falam de mim como se eu não estivesse lá. As pessoas sempre tentam te ajudar em coisas que, na verdade, você não precisa de ajuda, como atravessar uma rua. As pessoas pensam que você não consegue fazer coisa simples e eu queria provar que eu podia” – conta Dan.

Ele, então, começou a performar alguns ‘truques’ para mostrar que era capaz de qualquer coisa, como arremessar dardos em um alvo ou bolas em balizas, mas ainda não era o que o movia e despertava sua paixão. Isso só o skate poderia lhe dar.

Foi aí que Dan voltou ao esporte, agora com algumas adaptações, como uma avaliação prévia das rampas com ajuda de sua bengala, além de um sistema com fones que o alerta sobre possíveis obstáculos à sua frente.

“Eu tenho um mapa mental da área que eu vou andar e uso todos os outros sentidos que tenho. Eu começo na mesma posição em todas as manobras, então tenho uma ideia de onde estou e para onde vou.”

A determinação de Dan o faz querer ir ainda mais longe:

“Eu sempre estou tentando progredir e me empurrando para frente, eu tenho objetivos que quero alcançar” – declara o skatista.