Zumbido no ouvido: novas descobertas podem ajudar milhares de pessoas em todo o mundo

O zumbido, a percepção de ruídos fantasmas na ausência de som real, afeta milhões de pessoas em todo o mundo. O problema, também conhecido por tinnitus, acontece quando a pessoa consegue escutar constantemente um som ou um barulho incômodo, que pode vir na forma de chiados, apitos, som semelhante a uma cigarra ou cachoeira, cliques ou estalos. Esses barulhos podem ser leves, ouvidos somente durante o silêncio, ou mais intensos a ponto de persistirem durante todo o dia. Agora, novas descobertas podem ajudar milhões de pessoas, já que o zumbido afeta cerca de 10 a 15 por cento da população mundial.

O zumbido pode acontecer em todas as pessoas, no entanto é mais frequente em idosos, sendo causado, principalmente, por lesões no interior do ouvido, devido a situações como ouvir ruídos ou música alta, infecções do ouvido, traumatismos na cabeça, intoxicação por remédios ou pelo próprio envelhecimento, por exemplo.

Além disso, é preciso estar atento aos sintomas que podem acompanhar zumbido no ouvido como tontura, perda de equilíbrio ou perda auditiva e consultar o otorrinolaringologista, para que sejam feitos exames e indicado o tratamento mais adequado que pode incluir a remoção de cera pelo médico, o uso de antibióticos para tratar uma possível infecção ou cirurgia para corrigir defeitos no ouvido, por exemplo.

Aqueles com zumbido também podem apresentar complicações como dificuldade de foco, fadiga, ansiedade e uma redução geral na qualidade de vida.

Intervenções psicológicas, como terapia cognitivo-comportamental, podem ajudar a diminuir o sofrimento, mas até o momento, nenhum medicamento ou dispositivo médico demonstrou melhorar de forma confiável essa condição. 

Agora, os pesquisadores estão cada vez mais próximos de tornar o tratamento para o zumbido uma realidade. De acordo com um novo estudo, publicado em junho na “Science Translational Medicine”, um dispositivo não invasivo que aplica uma técnica conhecida como neuromodulação bimodal, combinando sons com zaps para a língua, pode ser uma forma eficaz de proporcionar alívio a pacientes com zumbido.

De acordo com o coautor do estudo Hubert Lim, professor associado de engenharia biomédica e otorrinolaringologia da Universidade de Minnesota, este tratamento visa um subconjunto de células cerebrais que estão disparando de forma anormal. Por meio de estudos em humanos e animais, a equipe de Lim e outros relataram anteriormente que a estimulação elétrica de neurônios sensíveis ao toque na língua ou no rosto pode ativar neurônios no sistema auditivo. Emparelhar esses zaps com sons parece religar os circuitos cerebrais associados ao zumbido.

A técnica desenvolvida por Lim e seus colegas é projetada para promover a ativação dos circuitos cerebrais em resposta a muitos sons diferentes para abafar o ruído fantasma. 

Outro grupo liderado por Susan Shore, professora de otorrinolaringologia da Universidade de Michigan, desenvolveu um dispositivo semelhante com uma abordagem diferente: em vez de aumentar a sensibilidade a um amplo espectro de sons, o método da equipe emparelha um som que corresponde ao fantasma ouvido por pacientes com pulso elétrico cronometrado especificamente para a cabeça ou pescoço. Em um estudo de 2018 que incluiu 20 pessoas com zumbido, a equipe de Shore relatou que essa técnica foi eficaz em reduzir o volume e a intrusão do zumbido os ouvidos. 

Para examinar a eficácia e segurança de seu dispositivo, Lim e seus colegas conduziram um estudo exploratório duplo-cego randomizado com 326 adultos que tinham zumbido crônico em dois locais: Hospital St. James's na Irlanda e o Centro de Tinnitus da Universidade de Regensburg em Alemanha. 

O estudo foi financiado pela Neuromod Devices, uma empresa com sede em Dublin, onde Lim é o diretor científico, que está desenvolvendo e vendendo o dispositivo de neuromodulação bimodal.

Os resultados mostraram que 84 por cento dos participantes completaram o regime de 12 semanas. Depois disso, aproximadamente 81 por cento dos participantes que aderiram ao tratamento apresentaram melhora nas variáveis ​​psicossociais, como a capacidade de concentração ou sono, junto com níveis mais baixos de ansiedade e frustração e melhor qualidade de vida. Em cerca de 77 por cento do grupo, essa melhoria persistiu um ano depois. Além disso, 66 por cento dos participantes relataram sentir que se beneficiaram com o dispositivo. Não houve diferenças significativas nessas medidas entre os três grupos.

Segundo Lim, seu grupo optou por focar em como os participantes do estudo reagem ao zumbido, pois a percepção auditiva dos pacientes pode variar, dependendo de como eles são afetados pela condição. A equipe, no entanto, mediu as mudanças perceptivas e planeja apresentar essas descobertas em um artigo subsequente.

Valores

O dispositivo de neuromodulação bimodal da Neuromod está atualmente disponível por médicos na Irlanda e na Alemanha por preços de € 2.500 a € 2.750 (cerca de R$ 15.375,00 a R$ 16.912,50). De acordo com Lim, a empresa também está buscando a aprovação da Food and Drug Administration para disponibilizar o tratamento nos Estados Unidos. Seu grupo também planeja novos experimentos para examinar o mecanismo por trás de sua eficácia.