Covid-19: Epidemiologista esclarece por que é possível ser infectado mesmo vacinado

Nos últimos dias, a população tem ficado intrigada com o número cada vez mais frequente de pessoas que, mesmo vacinadas, acabaram sendo infectadas pelo coronavírus. Este foi o caso, por exemplo dos prefeitos do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e de São Paulo, João Doria. Ambos já recuperados. As pessoas ainda têm muitas dúvidas com relação à proteção das vacinas contra a Covid-19 e algumas mais desconfiadas preferiram até abrir mão do imunizante.  Para esclarecer sobre a eficácia das vacinas, eu conversei com a doutora Isabella Ballalai, que é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

As pessoas se animaram com a chegada das vacinas, ficaram todas esperançosas, mas aí algumas acabaram pegando Covid-19 mesmo vacinadas. O que é importante esclarecer sobre a verdadeira eficácia desses imunizantes?

Dra. Isabella Ballalai: É importante entender, hoje a gente se preocupa muito, ouve muitas coisas, falam muito em terceira dose, falam em não eficácia. O que tem de real nisso? Na prática, para qualquer uma das vacinas que a gente tem no Brasil, a CoronaVac, a Janssen, a Pfizer e a Astrazeneca, países que já conseguiram alcançar pelo menos 60% da população vacinada com duas doses, já veem resultados fantásticos. Houve uma redução de mais de 90% dos casos graves e dos óbitos por Covid-19. É isso que a gente precisa hoje. Então, idependentemente da eficácia, quando as vacinas foram licenciadas, a efetividade desses imunizantes, inclusive aqui no Brasil, com a clara redução de hospitalizações, leitos vazios e mortes por Covid-19 está bem clara.

Existe proteção já a partir da primeira dose? É possível relaxar com o
distanciamento, uso de máscara e álcool gel nesta fase da imunização?

A gente sabe que, como pra qualquer vacina, mesmo aquelas que já existem há muito tempo, o esquema completo de doses é fundamental para garantir a proteção, principalmente a proteção a médio e longo prazos. Em relação à CoronaVac, um intervalo de um mês, a gente sabe que a primeira dose tem uma efetividade mais baixa. Por isso, o interval curto é importante e com as duas doses as pessoas ficam protegidas. Aqui no Brasil, que foi a vacina mais usada para os idosos, a gente já vê resultados muito importantes na proteção dessa população. As outras vacinas têm com apenas uma dose uma excelente proteção até o momento da segunda dose. Portanto, só fica protegido mesmo quem completa o esquema vacinal com as duas doses. Exceto a Janssen que é de dose única.

Como a gente sabe, nenhuma vacina é 100%. Elas são muito eficazes para prevenir as formas graves e mortes por Covid-19. A eficácia para doença leve, moderada, que não leva para o hospital, é menor. E é por isso que as pessoas precisam manter os cuidados, principalmente nesse cenário que a gente vive no país de alta circulação do vírus da Covid-19. Essa pessoa vacinada não só pode apresentar uma forma leve, como ela pode, mesmo sem sintomas, transmitir o vírus. Por isso, é fundamental usar máscara, manter o distanciamento social e continuar higienizando as mãos com frenquência.

E será que todos os anos teremos que tomar a vacina contra a covid, assim como ocorre com a vacina contra a gripe?

A gente ainda precisa de muitos dados para chegar a essa conclusão. O que a gente sabe hoje é que muito provavelmente uma dose de reforço será necessária. Qual o momento para essa dose de reforço? Ainda não é agora! A gente precisa de mais dados, precisa entender melhor. E mais ainda, precisamos garantir que a maior parte da população tenha recebido duas doses, antes de pensar em fazer terceira dose, mesmo que para um grupo específico.

Hoje já vemos uma queda do número de casos de infecção e mortes por coronavírus. Existe uma expectativa de quando haverá uma redução ainda mais drástica desses números?

A gente já assiste hoje no Brasil uma redução drástica de internações e mortes por Covid-19. Esses são os dados do Ministério da Saúde e de grande parte dos municípios brasileiros, mostrando, por exemplo, metade das cidades chegando a números de óbitos zero, claro, num curto período de tempo. Uma redução da ocupação de leitos; alguns hospitais e algumas alas para Covid-19 sendo fechados. O que a gente não vê, e é mais difícil, e por isso sim precisamos de mais e mais pessoas vacinadas, é pelo menos 60% da população vacinada com duas doses. No Brasil temos apenas 15% da população adulta que tenha recebido duas doses da vacina. Temos muito dever de casa pra fazer até chegarmos em um momento mais confortável.

Qual a mensagem que a senhora gostaria de deixar a todos que ainda estão em dúvida com relação às vacinas?

Em resumo, eu queria deixar aqui a mensagem pra vocês, é: não deixem de tomar a vacina, se você tiver a oportunidade de recebê-la. Não escolha vacina. Isso pode fazer você atrasar a sua proteção e correr o risco de se infectar e até de morrer antes de ter tido a possibilidade de se vacinar. Todas as vacinas são seguras, são eficazes e mais que isso, são efetivas na redução de mortes e casos graves da Covid-19. Mantenha os cuidados que a gente chama de não farmacológicos. Continue usando máscara de forma adequada, mantenha o distanciamento social e higienize as mãos sempre que necessário.


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