Olimpíadas de Tóquio: tenista japonesa Naomi Osaka foi a escolhida para acender a Pira Olímpica

A Cerimônia de Abertura das Olimpíadas de Tóquio parecia muito normal. Delegações de atletas vestidos com roupas representando seus países marcham triunfantes para o estádio, agitando bandeiras. Um espetáculo lindamente coreografado do país anfitrião, o Japão, celebra sua arte e tradições.

Mas estes não são tempos normais. A festa aconteceu nesta sexta-feira (23) em um estádio praticamente vazio, enquanto manifestantes japoneses se juntavam nas proximidades para registrar seu descontentamento com o maior evento esportivo do mundo que está acontecendo em meio a uma pandemia.

Os organizadores enfrentaram o desafio de acertar o tom no início oficial desses Jogos adiados.

A cerimônia foi um esforço para inspirar as pessoas ao redor do mundo, celebrando a reunião dos melhores atletas, ao mesmo tempo em que reconhece os problemas e a ansiedade que esses Jogos causaram.

A abertura teve um momento de silêncio pelas vidas perdidas para a Covid-19. Os profissionais de saúde foram homenageados, e uma coreografia de dança e luzes reconheceu o isolamento que os atletas - e todos os outros - enfrentaram durante a pandemia.

A honra de acender a pira olímpica foi para a estrela do tênis japonesa Naomi Osaka, vencedora do Grand Slam que defendeu a justiça social e a saúde mental dos atletas.

A maior parte do programa foi composta pelo “Desfile dos Atletas”, que recebeu competidores vindos de todo o mundo. Eles vêm de realidades muito diferentes e com acesso variado às vacinas. No Japão, menos de um quarto da população está totalmente vacinada.

O Brasil respeitou as recomendações e foi uma das poucas delegações a mandar número mínimo de representantes. De atleta, somente os porta-bandeiras Bruninho e Ketlyn Quadros estiveram presentes.

A cerimônia pregou uma mensagem de unidade na adversidade enquanto apresentava as tradições e cultura japonesas - tradições que incluem anime e videogame. Celebridades japonesas se apresentaram e o imperador do Japão também apareceu.

O público do espetáculo foi quase inteiramente virtual - o enorme Estádio Olímpico, que pode acomodar 68.000 pessoas, tinha menos de 1.000 pessoas nas arquibancadas. A maioria eram jornalistas, oficiais olímpicos e autoridades internacionais.

Para entrar no estádio, os convidados higienizaram as mãos, escanearam suas credenciais e apresentaram seu ingresso.

As entradas e as escadas que conduzem ao estádio nacional são revestidas de hortênsias. No Japão, a planta representa compreensão, emoção e desculpas. Cada planta foi afixada com uma nota escrita por alunos do ensino fundamental de escolas próximas.

Ao todo, o evento responsável por abrir os Jogos Olímpicos de Tóquio durou aproximadamente 4 horas. Atletas de 205 países desfilaram pelo estádio, quebrando muitas vezes protocolos de distanciamento social.


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