Acusado de receber apoio de cristãos, Dallagnol não esconde diálogo com sociedade civil

Em resposta às novas acusações do site Intercept na tentativa de enfraquecer a Operação Lava Jato de combate à corrupção no Brasil, o Procurador da República e coordenador da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, disse não reconhecer as mensagens divulgadas pelo Intercept nesta semana. Mas afirma que nunca foi segredo o seu diálogo com entidades da sociedade civil e movimentos sociais, que, segundo ele, têm sido essenciais para os avanços contra a corrupção nos últimos anos e que seu mérito deve ser reconhecido.



A parceria Intercept / Folha de S. Paulo agora tenta mostrar como crime o fato de o procurador ter sido apoiado pela Igreja Batista do Bacacheri, onde é membro. Uma matéria diz que a igreja foi sede do Instituto Mude, que hoje pressiona o Supremo Tribunal Federal em defesa da operação.



A igreja tem 60 anos e cerca de 3.000 fiéis. Além de Dallagnol, o líder do Mude, Flávio Oliveira, também participa os cultos.



O Mude não esconde sua luta contra a corrupção no Brasil e frequentemente posta mensagens em defesa da operação Lava Jato. Sua página no Facebook tem mais de 60 mil seguidores.



Segundo Oliveira, o Mude surgiu de uma palestra de Dallagnol. Ele contou que, após ouvirem o procurador falar de mudanças legislativas necessárias para o aprimoramento do combate à corrupção, um grupo de indivíduos, alguns deles fiéis da IBB, resolveu articular uma campanha de arrecadação de assinaturas em favor da proposta, as chamadas 10 Medidas Contra a Corrupção.



Isso ocorreu ainda em 2015. Naquela época, o Mude não tinha sede. Integrantes do movimento, então, passaram a se reunir na IBB. Segundo a própria igreja, foram "diversas reuniões" realizadas no espaço. Oliveira afirmou que Dallagnol participou de algumas, apesar de oficialmente nunca ter integrado o movimento.