Amiga diz que traficante Hello Kitty pretendia voltar para a igreja

Muitas igrejas foram obrigadas a fechar as portas no Brasil e em todo o mundo por conta de medidas restritivas impostas durante a pandemia. As mais modernas, migraram para o culto online. No entanto, outras não tinham a mesma facilidade e se viram obrigadas a deixar suas ovelhas sem apoio espiritual num momento tão difícil. E até as igrejas com estrutura para transmissões virtuais perderam fieis; alguns não tinham acesso à internet ou equipamentos adequados, e outros se distraíram mesmo com atividades paralelas. Ainda não existe um levantamento oficial, mas muitos fiéis podem ter se desviado neste período. Vidas sujeitas a ter o mesmo fim que a traficante Hello Kitty, morta durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo/RJ, na sexta-feira (16).Uma jovem que um dia chegou a frequentar uma igreja evangélica, mas acabou seduzida pelo crime.

Uma amiga de Rayane Nazareth Cardoso da Silveira, de 21 anos, garante que ela pretendia voltar para a igreja evangélica e deixar o tráfico de drogas.

A amiga, que pediu para não ser identificada, disponibilizou ao site G1 um print de uma das últimas conversas das duas, em que falam sobre o assunto.

“Eu não estava tentando levá-la para a igreja! Ela queria! As outras amigas falaram que ela não tinha mais jeito, mas ela já tinha me dito”, diz a mulher.

Na conversa, a amiga diz: “O diabo investiu alto na sua vida, mas Deus escreve novamente uma história para ser lida com sucesso. Pra gente ir na igreja, volta.”

Rayane, que mandou uma foto para a amiga com o rosto aparentando ter chorado, responde apenas: “Sim”.

Mas não deu tempo. Hello Kitty morreu junto com outros três suspeitos na sexta-feira (16) durante uma operação da Polícia Militar no Complexo do Salgueiro.

“Todos conheciam a Hello Kitty, mas poucos conheciam a Rayane! Ela era rodeada por vários que se diziam amigos, mas não eram”, desabafou a amiga após a morte da criminosa.

Esta era a segunda tentativa de Hello Kitty recorrer à religião para sair da vida do crime. A primeira vez foi em 2015, quando ela tinha apenas 15 anos, mas já tinha envolvimento com o tráfico.



"Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento." (Eclesiastes 12:1)



A convite de amigos, ela começou a frequentar uma igreja evangélica. Lá, descobriu o dom de cantar e passou a se apresentar nos cultos.

Mas a fase evangélica durou pouco mais de quatro meses. Na sequência, ela engravidou e depois voltou à vida do crime.

Hello Kitty era considerada uma das criminosas mais procuradas do estado do Rio de Janeiro. Contra ela, havia dois mandados de prisão preventiva por roubo majorado.

Uma vida que nos mostra que a decisão de seguir a Cristo, seja pelas aparentes facilidades que o mundo oferece ou por restrições que tentam nos impor, tem consequências trágicas e impossíveis de serem revertidas.