Eli Soares fala sobre primeiros passos na música e testemunho de fã: “fez tudo valer a pena”

A última quarta-feira (14) foi repleta de música boa no estúdio da Rádio Melodia! Um dos maiores nomes do cenário da música gospel brasileira, o cantor mineiro Eli Soares marcou presença no programa ‘Melodia Ao Vivo’ para apresentar alguns de seus louvores que tocam os corações de tantas pessoas.

Eli conversou, também, com a apresentadora Debora Lyra sobre os primeiros passos na música e compartilhou um testemunho impressionante recebido de uma fã: “No trajeto dela da casa até o hospital, ela ouvia as minhas canções, ouvia a música 'Meu Amanhã', e essa música fala que a última palavra vem de Deus. Quando ela me contou isso, fez tudo valer a pena.”

Confira como foi a conversa:

Eli, a música te encontrou ou você procurou esse caminho?

Eli Soares:
Olha, com certeza a música me encontrou, porque lá em casa ninguém canta, ninguém toca, já puxei na genealogia e não encontrei nem um pandeirinho. Mas isso prova que foi Deus que me presenteou mesmo com a música, com a oportunidade de poder levar a mensagem Dele através da música. Então, lá em casa eu sempre fui muito incentivado, tive muito incentivo no começo, mas não musical, eu não tive esse incentivo musical dentro de casa, pelo fato de ninguém tocar. Sempre acreditaram, sempre estiveram comigo, mas o incentivo veio de fora, de amigos, de pessoas próximas a mim na época, foi isso que me motivou mesmo a começar com a música.

E como você começou? Na igreja?

Na igreja. Meu pai era zelador da igreja, então eu aproveitava as tardes, quando ele estava ali arrumando as coisas da igreja, e ia pegar uma bateria, pegar um instrumento, e comecei assim. Engraçado, porque eu nunca tive plano B, a música sempre foi o meu propósito de vida. Perguntavam para mim, na minha infância mesmo, "o que você quer ser quando crescer?" Eu sempre dizia "quero ser músico", e as pessoas questionavam: "músico?" A gente não tinha nenhuma referência perto, algum músico que tinha dado certo perto do nosso contexto, mas hoje eu entendo que foi a música que me escolheu, Deus que, desde muito novinho, já me separou para isso.

Eli, tem algum ritmo, algum estilo que você não curte?

Acho que não. Eu aprendi que a riqueza da música está na diferença, sabe, e aprendi a admirar todos os estilos, todos os ritmos, aprendi a entender a essência de cada estilo, de cada ritmo, e consegui apreciar o melhor de todos. Então, eu não tenho nenhum que eu não goste.

O que você ouve em casa?

Eu ouço um camarada chamado Josué Lopes. De verdade, Josué tem três trabalhos e eu ouço muito, ouço muitas coisas de Josué. Muita gente me pergunta "cara, de onde vem essas frases aí?" Vem tudo do Josué, gente, Josué é a fonte. Mas eu gosto de ouvir música internacional, também, instrumental internacional, e os amigos, também, ministros do Brasil... tem muita gente que eu ouço, sou muito eclético, tem muita gente boa, e eu gosto de ouvir de tudo.

Conta para a gente uma novidade em primeira mão.

Opa, novidade em primeira mão: 'Laboratório do Groove'. É um projeto que a gente gravou no mês passado, já ouvi a mixagem final e está maravilhoso. Vamos compartilhar com vocês a partir de agosto, toda semana uma música, e eu estou muito feliz. É um projeto muito especial para mim, um formato diferente que a gente gravou e, assim, expectativa total para esse lançamento.

Eli, você também é compositor, não é?

Olha, compor, para mim, foi um presente de Deus, porque a história é longa. Eu participei de um programa em 2010, na televisão em Belo Horizonte, uma TV local, um concurso de música, e o prêmio seria a gravação de um disco, e eu ganhei. Aí estava tudo certo para começar a gravar o disco, mas eu não tinha nenhuma música, um amigo meu ia dar todas as canções.

Faltando 30 dias para começar as pré-produções, ele desistiu de me dar todas as músicas, e eu fiquei sem nada faltando 30 dias para começar a gravar. Sabe o que aconteceu? Eu comecei a compor nesse gap, e foi a oportunidade para começar a desenvolver mesmo esse lado, ainda não tinha feito nada, mas foi o pontapé inicial, start mesmo, foi esse "não", sabe, essa porta fechada que abriu outras portas para mim. Eu ainda, até então, nunca tinha feito nenhuma música. Foi uma oportunidade que Deus preparou para que eu começasse a compor e, depois disso, nunca mais parei.

E teve algum testemunho, relacionado as suas canções, que te impactou muito?

Em todos esses anos a gente recebe muitos testemunhos, e todos têm o seu valor, mas teve um que marcou muito. Eu estava cantando no interior de Minas Gerais, estava na passagem de som para um show que faríamos à noite, uma senhora veio até mim no palco, já com os olhos cheios de água, falando: "olha, eu passava aqui nessa praça todos os dias, porque é à caminho da minha quimioterapia; eu estava no tratamento e Deus começou a fazer na minha vida, começou a trabalhar na minha vida através da sua música; eu ouvia a música 'Meu Amanhã' todas as vezes, e todas as vezes que eu passava nessa praça eu me lembrava que Deus tem a última palavra, a última resposta na minha vida, isso marcou muito". E aí ela foi curada.

Ela foi curada de um câncer muito agressivo. No trajeto dela da casa até o hospital, ela ouvia as minhas canções, ouvia a música 'Meu Amanhã', e essa música fala que a última palavra vem de Deus. Quando ela me contou isso, fez tudo valer a pena, sabe. Eu, de fato, entendi que Deus tinha alguma coisa, mesmo, comigo, foi uma confirmação para mim. Num momento tão difícil para alguém, uma canção sua ser o canal de Deus... isso marcou muito a minha vida dentre todos os testemunhos que eu já recebi.

Eli Soares, suas músicas tem muita qualidade, você traz um ministério com muita unção, muita técnica vocal, traz consigo muita simpatia, muita simplicidade. Como você faz para equilibrar tudo isso?

Entendendo que a gente é só um canal, somos instrumentos, quem faz a obra é o Espírito Santo. Cantores, por aí, tem milhões, muito melhores, muito mais capacitados, mas eu acho que a gente só precisa depender de Deus mesmo, entender que é Ele que faz, Ele é o canal, Ele faz quando Ele quer, da maneira que Ele quer. E essa responsabilidade de poder levar o Evangelho através da minha arte, ela pesa nos meus ombros todos os dias, sabe, eu me sinto responsável mesmo, eu não represento só o meu nome, eu represento o Evangelho de Jesus através das minhas músicas, e isso, para mim, faz muita diferença e pesa muito. Ao mesmo tempo, sou muito grato a Deus por poder compartilhar da Mensagem da Cruz através daquilo que eu amo, da música que eu amo, o que eu amo fazer.

É sempre tudo muito fácil ou o seu ministério já enfrentou algumas dificuldades? Existem percalços no caminho?

Com certeza, as dificuldades estão aí, sempre aparecem, mas, como Deus é quem fez a promessa, Ele dá um jeito de resolver e facilitar o caminho. Às vezes, um caminho é mais tortuoso aqui, mais difícil, mas não existe desertos que durem para sempre. Os caminhos difíceis, os problemas acabam forjando a gente, preparando a gente para coisas maiores.

Eu acho que as lutas sempre são relativas aos níveis que Deus quer te projetar. Sempre que um próximo nível está por vir, ele será precedido por uma batalha, por uma luta. Então, não existe estabilidade, a gente está em constante movimento, Deus vai se movendo, e, conforme isso vai acontecendo, as lutas vão surgir, mas Deus vai dando vitória. A gente vai superando, vai passando por cima, e, no final, restam testemunhos para a gente contar de tudo que Deus tem feito.

Qual conselho você dá para quem está começando agora?

Olha, o começo é mais difícil, então, se você passar pelo começo, provavelmente, você vai ter resultados. O começo é a época onde a gente não pode contar com muitas pessoas, não pode contar com muitas portas abertas, e muita gente desiste no começo. Então, o conselho que eu dou para quem está começando é: cara, seja firme, olhe para Jesus e permaneça; a primeira fase é mais difícil, se você passar, provavelmente, você vai colher bons frutos disso.

Eli, conta para a gente algum acontecimento inusitado, algum mico que você ou a banda pagaram por aí. Já aconteceu alguma coisa desse tipo?

Tem muita coisa! Uma vez, nosso batera, o Fininho, ele estava fazendo uma dieta bem agressiva, queria perder peso, queria, de fato, fazer jus ao nome e ficar fininho de uma vez por todas. Só que ele fez uma dieta doida e ficou muito fraco. Quando ele foi tocar, eu estou ouvindo a introdução da bateria, de repente eu não estou ouvindo mais a caixa, de repente não ouço mais a bateria... quando eu olho para trás está o Fininho no chão. Eu falei: "meu Deus do céu, o que está acontecendo, Deus vai levar o Fininho". Aí tinha uma ambulância fazendo parte do evento, foram lá buscar ele... imagina, na hora do show, umas 10 mil pessoas e o Fininho passando mal. A gente começou a orar.

Até então, não é engraçado... é engraçado hoje, que, graças a Deus, não foi nada demais, só uma queda de pressão. Mas a parte engraçada vem agora, porque uma menina, devia ter 12 para 13 anos, pegou a bateria. Subiu, foi lá e simplesmente pegou as baquetas e eu falei "então vamos, pior não pode ficar, não é possível"... e a menina começou a tocar, do jeito dela tocou e a gente foi, resolvemos. E aí, no final, ela fez uma postagem... a gente ficou uma semana rindo disso... ela fez uma postagem agradecendo a Deus pelo Fininho ter passado mal... ela postou "Senhor, muito obrigado porque o Fininho passou mal, e eu pude tocar bateria..." Eu falei "Senhor, não é possível, quase custou a vida do Fininho". É só Jesus. Mas faz parte, são histórias como essa.

Eli, as pessoas, às vezes, olham para um cantor e acham que a vida é só cantar. Mas o que o Eli Soares gosta de fazer além de cantar? Tem algum hobby?

Olha, tem sim. Quando eu não estou cantando, eu gosto muito de cantar, sabe. Não, estou brincando. Eu amo ser pai, descobri isso, e os meus filhos mudaram minha vida. Então, quando eu não estou em função de música, de agenda, eu gosto de estar em casa, jogar videogame com o meu filho, brincar com eles, andar de bicicleta. E, da pandemia pra cá, eu descobri uma paixão que eu me arrependo por não ter começado mais cedo, comecei a pedalar. O mundo do ciclismo. Isso mudou minha vida, consegui perder peso, consegui mais saúde, mudou completamente meu estilo de vida, e hoje, com certeza, é algo que eu amo demais. Antigamente, era "só sei cantar, não sei nadar, não sei jogar bola", agora eu posso falar "eu ando de bicicleta".

Eli, você congrega onde?

Igreja Batista Getsêmani, pastor Jorge Linhares, um paizão, um homem de Deus, um homem que está comigo há mais de 12 anos, é um prazer caminhar com aquele povo, com aquela igreja, uma igreja que eu amo demais.

Como você vê essa abertura, essa receptividade do mundo secular para com a música gospel?

Eu acredito que a música gospel é uma ferramenta poderosa para o Evangelho. Deus usa a música para entrar onde um paletó e uma gravata não entrariam, Deus usa a música para entrar, de repente, onde a religiosidade não entra, isso está cada vez mais forte. Deus tem usado, mesmo, a música gospel para levar a mensagem do Evangelho a lugares que de outra maneira, talvez, nunca chegaria. Eu vejo que estamos em constante crescimento e constante evolução, e Deus tem usado, mesmo, muitas vidas, muitos ministros para levarem a música até os corações.

De verdade, infelizmente, algumas pessoas ainda polemizam muito esse assunto, é um assunto polêmico de se tratar, mas eu sempre bati muito nessa tecla, eu acredito no poder da música, acredito que Deus usa, sim, a música para alcançar muita gente. E essa abertura, cantores seculares cada vez se aproximando mais de Deus através das músicas, em todos os ambientes, em todos os mundos. No mundo dos esportes, no mundo da economia, do entretenimento, a música, de fato, tem sido uma arma poderosíssima, e eu oro para que Deus potencialize isso cada vez mais e que as pessoas sejam alcançadas. A Palavra de Deus não deixa de ser Palavra de Deus porque está sendo cantada por uma outra boca, por uma boca que não seja gospel. A Palavra de Deus, na sua essência, continua sendo Palavra de Deus, e isso que é importante

Como faz para levar o Eli Soares na igreja? A sua agenda já está reaberta? Como está sendo esse reinício para vocês, o seu ministério?

Olha, a gente está voltando gradativamente. É um desafio, é tudo muito novo, então as coisas estão acontecendo meio que com passos lentos, mas, graças a Deus, está voltando, eu já estou cantando, ministrando em alguns lugares. Inclusive, esse mês de julho foi bastante corrido, a gente está na estrada, eu estava com saudade desse pique, de poder ficar de um lado para o outro. É cansativo, mas é muito gratificante. E o povo está com saudade também, a minha oração é para que isso passe o mais rápido possível para a gente conseguir se reunir de novo, da maneira como era. Mas, sim, já estamos atendendo às ministrações. É só você entrar no site www.elisoares.com.br, lá tem todos os direcionamentos para a minha agenda, para os meus contatos, do meu escritório. Vai ser um prazer estar com vocês, tomara que Deus prepare esse tempo para nós estarmos juntos o mais rápido possível.


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