Jornalista detida, fotógrafo ferido, internet bloqueada, o preço pela Liberdade em Cuba Cuba amanheceu nesta terça-feira (13) sem internet móvel e com uma forte presença policial nas ruas de Havana, um dia após milhares de pessoas saírem às ruas em protesto contra o governo e a crise econômica e sanitária que atravessa o país caribenho.

Na segunda-feira (12), dezenas de mulheres reunidas em frente às esquadras da polícia tentavam obter informações sobre o paradeiro de maridos, filhos e parentes presos ou desaparecidos durante as manifestações.

Até o momento, as autoridades não divulgaram ainda um número oficial de detenções, mas existe uma lista provisória elaborada por ativistas locais que conta com 65 nomes só em Havana.

Entre os detidos há personalidades conhecidas, como o artista Luis Manuel Otero Alcántara, o dissidente moderado Manuel Cuesta Morúa e o dramaturgo Yunior García Aguilera.

Em um comunicado na segunda-feira (12), o presidente dos EUA, Joe Biden, disse que os manifestantes cubanos estavam reivindicando seus direitos básicos:

— Apoiamos o povo cubano e seu clamor por liberdade e alívio das trágicas garras da pandemia e das décadas de repressão e sofrimento econômico a que foi submetido pelo regime autoritário de Cuba.
Os EUA exortam o governo cubano a servir ao seu povo "em vez de enriquecer", acrescentou Biden.

O porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq, enfatizou na segunda-feira a posição da organização "sobre a necessidade da liberdade de expressão e de reunião pacífica ser totalmente respeitada, e esperamos que seja esse o caso".

As manifestações foram extremamente incomuns em uma ilha onde pouca dissensão contra o governo é tolerada. A última grande manifestação pública de descontentamento, por causa das dificuldades econômicas, aconteceu em 5 de agosto de 1994, quando milhares de cubanos saíram às ruas de Havana para protestar contra as políticas do governo, no primeiro levante contra o regime de Fidel Castro, que assumiu o poder em 1959.

Repressão
O fotojornalista da AP Ramón Espinosa foi espancado por um grupo de policiais uniformizados e à paisana; ele quebrou o nariz e sofreu um ferimento no olho.
As autoridades cubanas bloquearam o Facebook, WhatsApp, Instagram e Telegram, disse Alp Toker, diretor da Netblocks, uma empresa de monitoramento de internet com sede em Londres.
— Esta parece ser uma resposta aos protestos alimentados pelas redes sociais — disse ele. 

O Twitter não parece estar bloqueado, embora Toker tenha notado que Cuba tem a capacidade de cortá-lo se quiser.

Jornalista Presa
O ministro de Relações Exteriores da Espanha, Jose Manuel Albares, usou as redes sociais na manhã desta terça-feira (13), para pedir a libertação imediata da jornalista Camila Acosta, detida ontem, enquanto cobria prisões de civis em Cuba para o jornal “ABC”.

“A Espanha defende o direito de manifestação livre e pacífica e pede às autoridades cubanas que o respeitem. Defendemos os direitos humanos sem condições. Requisitamos a prisão imediata de Camila Acosta”, afirmou Álvares.

Nas redes sociais, Camila Acosta se classifica como “jornalista independente cubana”. A última publicação dela antes da prisão fala da necessidade de “pressioná-los para que abandonem o poder” e diz que “o povo cubano já gritou bem alto que perdeu o medo”.