Pesquisas apontam que fechamento de escolas prejudicou a saúde mental de adolescentes

Um relatório recente do Center for Disease Control (CDC), nos Estados Unidos, revelou um aumento substancial nas visitas ao pronto-socorro relacionadas a tentativas de suicídio durante a pandemia de Covid-19, especialmente entre adolescentes entre 12 e 17 anos. 

Durante 2020, o número de adolescentes que visitou um departamento de emergência para consultas relacionadas à saúde mental aumentou 31% em comparação com 2019. As visitas por suspeita de tentativas de suicídio por meninas aumentaram 51%, enquanto o número de meninos aumentou 3,7%.

No verão passado, o número médio de visitas semanais de emergência associadas a tendências suicidas foi 22,3% maior do que durante o verão de 2019. 

E com a aproximação do inverno de 2021, as visitas ao hospital aumentaram 39,1% em comparação com o ano anterior.

Os pesquisadores do estudo não explicaram por que as meninas foram mais impactadas do que os meninos.

“As descobertas deste estudo sugerem sofrimento mais severo entre as mulheres jovens do que foi identificado em relatórios anteriores durante a pandemia, reforçando a necessidade de maior atenção e prevenção para esta população”, escreveram eles.

Mas alguns especialistas relacionam o aumento nas tentativas de suicídio de adolescentes aos efeitos negativos do isolamento e do bloqueio.

A Dra. Jeanne Noble, diretora de Resposta COVID do Departamento de Emergência da UCSF, acredita que o fechamento de escolas pode ter contribuído para que adolescentes sofram de um declínio na saúde emocional.

"As evidências médicas são claras de que manter as escolas públicas fechadas está catalisando uma crise de saúde mental entre crianças em idade escolar em San Francisco", explicou o Dr. Noble.

Brasil


A pandemia da Covid-19 teve efeitos na saúde física e mental dos adolescentes também no Brasil. Segundo uma pesquisa do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) feita com 208 adolescentes, mostrou que 93% deles se sentem isolados.

Além do isolamento, com o distanciamento social, 86% não fazem atividade física e 58% passam mais de oito horas por dia de olho em uma tela.

Alguns momentos de lazer com os quais os adolescentes estavam acostumados desapareceram por mais de um ano e estão voltando aos poucos.

Os dados do estudo do Hospital Pedro Ernesto mostraram ainda que 67% dos adolescentes entrevistados disseram que passaram a comer mais e pior.

A médica coordenadora da pesquisa conta que os sintomas mais comuns relatados pelos adolescentes foram ansiedade, tristeza e medo. Os pais e responsáveis devem ficar atentos para que o isolamento não aconteça também dentro de casa.

“A primeira coisa é ter uma escuta cuidadosa, um diálogo aberto, estar atento às principais mudanças comportamentais dos filhos em casa. Acho que é muito importante os pais estarem atentos ao estilo de vida saudável destes adolescentes. Isso contribui para uma boa qualidade de vida e é um fator de proteção das doenças, principalmente sobrepeso, obesidade e as doenças cardiovasculares relacionadas. Encorajar, estimular bons hábitos de vida, é fundamental para que a gente consiga proteger e promover uma boa saúde para os nossos adolescentes”, afirmou a pesquisadora Cristiane Murad.